Entre os que votaram Bolsonaro em 2018, quase 50% apoia intervenção militar e fechar Congresso e STF

Imensa maioria dos eleitores de Fernando Haddad rejeita esses atos autoritários.

Um dos recortes possíveis da 3ª Pesquisa Fórum é checar entre os que votaram em Jair Bolsonaro (sem partido) ou em Fernando Haddad (PT) em 2018 como eles se posicionam em relação a posicionamentos antidemocráticos como a defesa da intervenção militar, fechar o Congresso e o STF e a censura.

A posição dos eleitores de Bolsonaro e Fernando Haddad são bastante diferentes. E abrem portas para analisar tanto a vitória do atual presidente em 2018 como sua resiliência em permanecer com uma base de apoio de ótimo e bom na casa dos 30 a 35% depois de 46 mil mortes por coronavírus e de uma das maiores crises econômicas da história do Brasil.

Os eleitores de Bolsonaro se dividem em relação à intervenção militar (49,7% sim e 50,3% não), sobre o fechamento do Congresso (49,8% sim e 50,2% não) e no fechamento do STF (47,8% sim e 52,2% não).

Entre os eleitores de Fernando Haddad há uma imensa maioria que rejeita esses atos autoritários. Em relação à intervenção militar (12,3% sim e 87,7% não), no fechamento do Congresso (sim 17,1% e 82,9% não), e no fechamento do STF (14,1% sim e 84,9% não).

Se fosse um jogo de futebol, essa partida sobre democracia e ditadura daria empate entre os eleitores de Bolsonaro. E entre os que votaram em Haddad seria um 9 a 1 ou no máximo um 8 a 2.

Posições antidemocráticas explicam apoio a Bolsonaro

Quando se olha para os dados totais, os resultados ficam na média do 1/3 do eleitorado. Já que 33,4% defendem a intervenção militar, 36,8% aprovam fechar o Congresso e 30,6 fechar o STF.

Mas para que o número chegue a este patamar há uma grande contribuição daqueles que não votaram em Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.

Nesta 3ª edição da Pesquisa Fórum, a avaliação de ótimo e bom de Bolsonaro cresceu um pouco para 35,2% de ótimo e bom. É praticamente a mesma porcentagem que apoia este Estado autoritário.

Pesquisa inova com metodologia

3ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 10 e 13 de junho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existia perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante era manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.