sábado, 31 out 2020
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Mais de 30% da população não sabe nada sobre rachadinhas e cheques de Michelle, revela Pesquisa Fórum

Para mais de 50% dos entrevistados tanto os filhos de Bolsonaro quanto Michelle são culpados nesses casos

Mais de 30% dos brasileiros não ficaram sabendo dos escândalos que envolvem a família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tanto o que ficou conhecido como o das rachadinhas quanto o dos cheques depositados na conta da primeira-dama Michelle. Esse índice aparece na 6ª edição da Pesquisa Fórum, realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro. Os dois casos têm em comum a participação do ex-policial militar Fabrício Queiroz, amigo de décadas do presidente Jair Bolsonaro.

Entre os entrevistados, 35,3% não ficaram sabendo do episódio das rachadinhas. A denúncia é que assessores do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio devolviam parte de seus salários a Queiroz, que era o braço direito do filho 01 do presidente. Ele está sob investigação do Ministério Público do Rio.

Já o caso dos cheques da primeira-dama Michelle depositados por Queiroz que somaram R$ 89 mil, 31,5% dos entrevistados dizem não ter conhecimento do caso. Quando foi questionado sobre o fato por um jornalista, em setembro, Bolsonaro respondeu ao repórter que tinha vontade de encher a boca dele de porrada. A reação levou a parte da população que não o apoia a repetir a pergunta em redes sociais e faixas espalhadas pelas cidades, inclusive em locais visitados recentemente pelo presidente.

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Impressões das rachadinhas

No caso das rachadinhas, 51% dos entrevistados disseram que ficaram sabendo do episódio e avaliam que os filhos de Bolsonaro têm culpa nele. Outros 13,8% revelaram conhecer o caso, mas acreditar na inocência deles.

Na divisão por renda, quanto menor a faixa salarial, maior o desconhecimento do caso. Entre os que ganham até 2 salários mínimos, 47,9% não tinham ouvido falar das rachadinhas. O percentual cai para 32,8% quando o entrevistado recebe de 2 a 3 salários mínimos e para 26,4% quando seu rendimento fica na faixa de 3 a 5 pisos nacionais. O menor índice de desconhecimento está na faixa entre 10 e 20 salários mínimos: 9,3%.

Entre os que souberam dos fatos que estão sob investigação, a maior fatia acredita na culpa dos filhos do presidente. A maior proporção dos que têm essa avaliação está naqueles que ganham entre 10 e 20 salários mínimos: 80,1%.

Os moradores de cidades que são capitais são os mais informados sobre o escândalo das rachadinhas. Três a cada quatro deles (75,7%) souberam do caso, e 62,3% acreditam que os filhos de Bolsonaro têm “culpa no cartório”. Nos municípios que fazem parte de regiões metropolitanas, 31,8% não tinham ouvido falar das rachadinhas. O percentual de desconhecimento cresce entre moradores de cidades do interior: 42,2%.

Ei, presidente, por que o Queiroz depositou…

Entre os entrevistados na Pesquisa Fórum, 54,6% ficaram sabendo do caso dos R$ 89 mil em cheques depositados por Queiroz a conta de Michelle Bolsonaro e entendem que a primeira-dama deve ser investigada. Outros 13,9% estavam informados do episódio, mas não viram nada de errado nos depósitos.

Aqui, novamente, os maiores percentuais de desconhecimento estão entre os brasileiros com menor rendimento. Na faixa dos que ganham até 2 salários mínimos, 42,8% não tinham ouvido falar do caso. Entre os que recebem de 2 a 3 salários mínimos, são 27,7% os que não souberam que o Queiroz depositou R$ 89 mil para a Michelle. Na outra ponta, só 9,3% dos brasileiros com rendimento de 10 a 20 pisos nacionais não estavam informados sobre o assunto.

Nesse recorte da pesquisa, mais da metade dos entrevistados, em todas as faixas de renda, souberam do caso e avaliam que a primeira-dama deve ser investigada. O maior percentual, 71,1%, foi entre os que ganham de 10 a 20 salários mínimos.

Assim como no caso das rachadinhas, os moradores das capitais estavam mais cientes do episódio dos R$ 89 mil do que aqueles que vivem mais afastados dos grandes centros. Os dados da Pesquisa Fórum mostram que 26,3% dos brasileiros que moram em capitais, 28,6% dos que vivem em regiões metropolitanas e 35,1% daqueles que residem em cidades do interior não souberam do depósito feito na conta da primeira-dama.

Pesquisa inova com metodologia

6ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.