quinta-feira, 1 out 2020
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Mulheres são a resistência a Bolsonaro e mais à esquerda do que homens

Há um recorte de gênero no posicionamento político da população brasileira. A 3ª Pesquisa Fórum mostra que as mulheres estão em numero muito maior na oposição a Bolsonaro do que os homens e que também são muito menos impactadas pelas pautas reacionárias de fechamento do Congresso, Supremo Tribunal Federal e intervenção militar. Elas também se dizem mais de esquerda e centro-esquerda e são mais petistas.

Entre as mulheres, por exemplo, o índice de ótimo e bom de Bolsonaro soma 28,8% contra 42,2% entre os homens. No regular, há um empate. 21,1% entre homens e 21,9%, mulheres. Já no ruim e péssimo a diferença também é grande. Mulheres, 47,3%; homens, 35,1%.

Em relação ao posicionamento ideológico o maior percentual de mulheres ainda é de direita, 38,4%. Mas elas somam 16,6% à esquerda. Entre os homens, 43,5% se dizem de direita e 10,3% de esquerda.

Em relação aos partidos políticos, chama a atenção que 13% das mulheres dizem preferir o PT e 9,5% dos homens. O PSL que foi o partido pelo qual Bolsonaro disputou a presidência e que ainda é muito identificado com ele, tem 4,2% entre os homens e 1,5% entre as mulheres.

Em relação à intervenção militar no Brasil, 70,4% das mulheres são contra. E 62,5% dos homens.

Entre elas, 68,8% são contra fechar o Congresso, contra 56,9% deles. Neste item, a diferença é mais gritante. Quase metade dos homens são a favor do fechamento do Congresso, 43,1%.

Em relação ao fechamento do Supremo Tribunal Federal, 76,3% delas são contrárias e 61,7% deles.

Quanto à censura, 81% delas e 76% deles. Este é o item onde há mais proximidade de pensamento no que diz respeito à decisões autoritárias.

Não há grande diferença de pensamento entre homens e mulheres quanto à negociação de cargos com deputados e senadores. São 64% das mulheres contra, 61,6% dos homens.

Também não há muita diferença de opinião quanto à interferência dos filhos do presidente no governo. Há um empate técnico. 82,4% dos homens desaprovam e 83,1% das mulheres.

A avaliação do presidente Bolsonaro na gestão da pandemia também tem diferença significativa entre eles e elas. 38,5% delas avaliam como péssia. E deles, 28,1%. Ótima, 17,9% deles e 10,6% delas. Há outros gráficos sobre a pandemia a seguir que apontam a mesma tendência. E um sobre quem está recebendo auxílio emergencial ao final. Entre as mulheres são 41,6%. E entre os homens, 32%.

 

Renato Rovai
Renato Rovai
Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.