O que o brasileiro pensa?
20 de junho de 2020, 09h50

O que pensa e como votou o eleitor de direita, centro e esquerda no Brasil

A 3ª Pesquisa Fórum revela que a direita e a centro-direita representam quase 50% do país, mas os dados mostram muito mais do que isso e você pode ler nesta matéria especial, em que os segmentos são separados, como pensam e o que defendem

Montagem (Fotos: José Cruz-ABr/Divulgação)

Em matéria recente, Fórum revelou com exclusividade que o Brasil tem hoje metade de sua população com direito à voto que se declara de direita. Segundo a 3ª edição da Pesquisa Fórum, 40,8% dos eleitores se dizem de direita e 8,6% de centro-direita. Ou seja, este campo da direita tem 49,4% dos eleitores. Na outra ponta, 13,6% se dizem de esquerda e 7,2% de centro-esquerda. Ou seja, são 20,8%. De centro, se afirmam 29,9%.

Além desses dados explicarem boa parte da resiliência de Bolsonaro, que a despeito de fazer um governo desastroso se mantém com um índice de ótimo e bom de 35,1%, também mostram que a eleição de 2020 pode ser muito mais difícil do que se imagina para as candidaturas de esquerda.

Para melhor entender a cabeça do eleitor brasileiro, Fórum fez um recorte e separou esses grupos em três. Os de direita e centro-direita, os de centro e os de centro-esquerda e esquerda. E a partir disso cruzou com as perguntas que foram feitas nesta última pesquisa em parceira da Offerwise e consultoria de Wilson Molinari. O campo foi realizado dos dias 10 a 13 de junho. A base total da pesquisa é de 1 mil eleitores e a margem de erro de 3,2%.

Os resultados são reveladores da coerência na autodeclaração de campo político. Por exemplo, quando perguntado sobre a avaliação do governo Bolsonaro, 56,1% dos eleitores direita e centro-direita o consideram ótimo e bom, 19,9% regular, 22,7% ruim e péssimo e 1,3%, não sabem.

Já se percebe neste núcleo de direita que quase ¼ do eleitorado abandonou Bolsonaro. Por outro lado, mais da metade ainda se mantém absolutamente fiel a ele.

Entre os eleitores de centro, 19,7% consideram ótimo e bom seu governo, 30,1% regular, 47,6% ruim e péssimo e 2,7% não sabem. Metade deste segmento já está na oposição a Bolsonaro, mas uma parcela ainda muito grande no regular, quase 1/3 desses eleitores.

Por outro lado, no campo da esquerda, apenas 7,3% dos eleitores avaliam Bolsonaro como ótimo e bom, 13,1% como regular, 77,7% como ruim e péssimo e 1,9% não sabem. Se esse segmento fosse a média do Brasil, o impeachment de Bolsonaro seria uma questão de tempo.

A leitura apenas dessa questão já desmonta a tese de que o eleitor não sabe o que é ser de esquerda e direita e que ao se declarar de direita, por exemplo, estaria se dizendo uma pessoa direita.

Os cruzamentos a seguir só confirmam a hipótese de que o momento é favorável às pautas mais conservadoras e que a esquerda terá que reconstruir o imaginário do que é ser de esquerda para poder virar o jogo.

O gráfico a seguir mostra como votaram os três segmentos. Perceba que na direita 66,3% votaram em Bolsonaro, contra 9,9% que votaram em Haddad. No centro, Bolsonaro também levou vantagem. Teve 32,5% contra 21,3% de Haddad. Só na esquerda e centro-esquerda que Haddad venceu, obtendo 49,6% contra 10,6% de Bolsonaro.

Quando o ex-presidente Lula afirma que se FHC e Ciro tivessem feito campanha para Haddad ao invés de se ausentarem do debate público ele seria presidente, talvez Lula tenha razão. Haddad perdeu para Bolsonaro no segmento dos eleitores de centro, onde teria que derrotá-lo com folga para poder ser o vitorioso da eleição.

Até porque Bolsonaro não é só um candidato de direita clássica, mas alguém posicionado na extrema-direita.

Nas questões a seguir, sobre intervenção militar, fechamento do Congresso e do STF e censura é possível confirmar como há coerência na autodeclaração de posicionamento político ideológico.

Dos eleitores de direita e centro-direita 47,3% defendem a intervenção militar, dos de centro, 27,3% e dos de esquerda só 9,4%.

A mesma coerência de posicionamento se repete no caso do fechamento do STF. São 42,1% a favor dos eleitores de direita e centro-direita, 24% dos de centro e 12,5% dos centro-esquerda e esquerda.

No caso do fechamento do Congresso, 45,5% dos eleitores de direita e centro-direita são a favor, 33,6% dos de centro também e 20,8% dos de centro-esquerda e esquerda. Esta é a questão em que há menos diferença de opinião entre os segmentos, o que pode ser explicado pelo fato de o Congresso ser a instituição com a mais baixa avaliação das que foram listadas nessa 3ª Pesquisa Fórum.

Em relação à volta da censura, também há uma diferença menos gritante entre os segmentos. São 25% dos de direita e centro-direita que defendem o seu retorno, 20,7% dos de centro e 14,1% dos de centro-esquerda e esquerda.

A seguir você tem uma outra série de gráficos mostrando como pensam os eleitores que se dizem de direita e centro-direita, centro e centro-esquerda e esquerda. Há questões relativas à pandemia do Coronavírus, à negociação com o centrão, à interferência dos filhos do presidente no governo, sobre o isolamento social e até sobre quem está recebendo o auxílio emergencial.

Pesquisa inova com metodologia

3ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 10 e 13 de junho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existia perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante era manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

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