Fórum Educação
16 de abril de 2020, 10h37

Oposição ao isolamento é maior entre mais ricos, empresários e aposentados

Pesquisa Fórum revela que o encerramento da quarentena não é uma vontade dos mais pobres e desmente narrativa bolsonarista

Av. Paulista, em São Paulo, vazia na pandemia do coronavírus (Foto: Roberto Parizotti)

A Pesquisa Fórum, realizada pela Offerwise, com supervisão técnica de Wilson Molinari, entre os dias 8 e 11 de abril, com 956 entrevistados, mostra que a oposição ao isolamento como forma de combater o coronavírus está concentrada nos mais ricos, nos empresários e nos aposentados.

O discurso contra a quarentena do presidente Jair Bolsonaro, encampado pelos mais fanáticos de sua base, é de que a economia não pode parar “pelos mais pobres”. Segundo os bolsonaristas, eles querem sair para trabalhar porque precisam. A Pesquisa Fórum revela que a realidade é exatamente o contrário.

Entre os entrevistados que afirmaram serem contra o isolamento, os que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.090) são apenas 10%. Já os que recebem mais de 50 salários mínimos (R$ 52.250) chegam a 20%. A maior oposição à quarentena está em uma faixa de rendimento ainda elevada, de 5 a 10 salários mínimos (entre R$ 5.225 e R$ 10.450/mensais), que soma 23% das respostas.

O empresariado é, naturalmente, o maior defensor da retomada das atividades. Afinal, pode apenas abrir o seu negócio e colocar os outros para trabalhar (e se arriscar) em seu lugar. Entre os que responderam ser contra o isolamento na pandemia, empresários somam 32%. Em seguida aparecem profissionais liberais (22%), aposentados (22%) e trabalhadores eventuais ou freelancers (16%).

Quem trabalha por conta própria, categorias que permeiam os profissionais liberais e eventuais, constituem parte fiel da base bolsonaristas, como motoristas de aplicativos, entregadores, caminhoneiros e os que acreditam na carteira de trabalho verde e amarela, com redução de direitos.

Curiosamente, aposentados, que não trabalham e são mais vulneráveis ao coronavírus, representam parte importante dos que querem o fim do isolamento. O que também explica a mais incidência de oposição à quarentena entre os mais velhos.

Pessoas com mais de 60 anos são a maioria entre os que afirmaram serem contra o isolamento, com 20%. Entre os demais opositores das medidas restritivas, 12% têm entre 45 e 59 anos, e 18%, entre 35 e 44. Entrevistados de 25 a 34 anos respondem por apenas 9% e 8% estão na faixa de 16 a 24 anos.

Na outra ponta, o apoio às medidas de isolamento é amplamente maior entre os jovens. A taxa dos que responderam serem favoráveis a manutenção da quarentena durante a pandemia chega a 85% entre os que têm 16 a 24 anos, 84% dos 25 aos 34 anos e 77% dos 35 aos 44 anos.

No entanto, o número de entrevistados que afirmou ser contra a quarenta é baixo, apenas 13% do total de entrevistados. A maioria, 81%, é a favor.

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