quinta-feira, 1 out 2020
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Os hábitos de consumo de informação política na internet dos eleitores da direita, centro e esquerda

A 3ª Pesquisa Fórum voltou a perguntar aos eleitores quais os hábitos de leitura informativa que eles têm na internet. A pergunta não é aberta. São apresentados 12 sites e o entrevistado responde se se informa por ele ou não.

Em maio essa pergunta já foi realizada e a ordem dos sites não sofreu alteração. O G1/Globo continua em primeiro lugar e o UOL em segundo entre os sites apresentados. É importante ressaltar que essa pergunta serve mais à verificação da força da marca do que para medir audiência. Há outros medidores de audiência muito mais eficientes do que pesquisa no caso de sites de internet, como, por exemplo, a verificação do Google Analytics.

Mas os dados que podem ser extraídos da Pesquisa Fórum são consistentes, tanto que o número de pessoas que dizem buscar informação política por sites de internet entre maio e junho se manteve, com uma diferença de 1%. 74% em maio e 73% em junho. Ou seja, pode-se dizer que ¾ dos brasileiros se informam a respeito de política por sites de internet. Isso não quer dizer que não se informem por outros meios de comunicação também. E como a pergunta não é aberta, não se pode dizer que os sites citados são os mais lidos.

Como a 3ª Pesquisa Fórum realizou uma pergunta sobre o posicionamento ideológico do entrevistado foi possível neste mês fazer um recorte sobre quem se informa mais de política pela internet, se o eleitor de direita e centro-direita, de centro ou de centro-esquerda e esquerda. E são nas pontas que estão os mais interessados em informação política por sites. Os eleitores de centro são os que menos buscam essa informação nas redes. Apenas 62,7% contra 78,3% de esquerda e centro-esquerda e 77% de direita e centro-direita.

O gráfico abaixo mostra o resultado dos sites que os entrevistados disseram ler na pesquisa do mês de junho. Globo/G1, 60,7%, UOL, 49,3%, Folha de S. Paulo, 28,4%, Estado de S. Paulo, 22,9%, Revista Veja, 19,3%, Isto É, 19,2%, Antagonista, 10,1%, Revista Fórum, 8,2%, Terça Livre, 5,3%, Brasil 247, 5%, Metrópoles, 4,7% e DCM, 3,1%.

Ao lado deste resultado você tem três campos, o de direita + centro-direita, o do centro e o de centro-esquerda + esquerda. O Globo/G1 tem sua maior porcentagem de eleitores na esquerda + centro-esquerda, 75,2%. E tem menos da metade dos leitores de centro-direita + direita, 49,5%. O UOL também tem mais eleitores na centro-esquerda + esquerda, 54,9%. E menos na direita + centro-direita, 45,4%. No caso da Folha de S. Paulo a diferença é ainda mais gritante. Só 19,4% dos eleitores de centro direita + direita buscam informação política no seu site. Enquanto esse número sobe para 44% entre os eleitores de esquerda + centro-esquerda. A campanha do bolsonarismo contra Folha e a Globo pode ser um dos fatores a explicar essa grande diferença.

Em relação à Fórum, 12,8% dos eleitores de esquerda + centro esquerda consomem informação política pelo site. Mas Fórum também tem um número razoável de leitores ao centro, 9% da base deste universo. E 5,8% dos eleitores de direita + centro-direita.

O Antagonista que tem um perfil editorial mais à direita, curiosamente tem praticamente a mesma porcentagem de leitores do espectro da esquerda e da direita. 12,7% à direita e 12% à esquerda. Ao centro só 3,2%. Veja abaixo o gráfico com todos os números.

Pesquisa inova com metodologia

3ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 10 e 13 de junho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existia perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante era manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Renato Rovai
Renato Rovai
Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.