Para maioria, alta no preço da comida é culpa do governo Bolsonaro, diz Pesquisa Fórum

57,6% dos brasileiros não acreditam no discurso do presidente de que o isolamento social causou alta no preço dos alimentos

Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) acumulou alta de 5,20%, nos últimos 12 meses, o preço dos alimentos subiu 15% no País, o que significa três vezes a taxa oficial de inflação. Embora o presidente Jair Bolsonaro culpe o isolamento social pela alta, a maioria dos brasileiros reconhece que a culpa é do governo. É o que mostra a Pesquisa Fórum, realizada em parceria com a Offerwise.

O óleo de soja teve o maior aumento no período, com 82,34% de reajuste. Em seguida, vem o arroz, com 56,67%, e o feijão fradinho, com 50,74%. O preço da carne ficou 38% mais cara em 12 meses, e o consumo da proteína é o menor em 25 anos. Confira aqui o preço.

Para 57,6% da população o aumento do preço dos alimentos tem sim relação com erros do governo, 32,7% dizem que não e 9,8% não souberam responder.

Entre as mulheres, 65% dizem que a alta está relacionada a erros do governo e apenas 23,4% afirmam que não. Entre os homens, 49,1% acreditam que é causada por erro e 43,2%, não.

Os mais jovens também são os que enxergam mais a relação da alta dos preços com os erros do governo. Entre quem tem 16 e 24 anos, 66,5% dizem que sim e apenas 22,5%, não. Por outro lado, entre os idosos (acima de 60 anos), 45,3% dizem que sim e 45,7%, não.

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Segundo especialistas, com a desvalorização do real, os produtores de alimentos priorizam as exportações e não o mercado nacional. “Nós vivemos uma alta muito expressiva dos preços primários exportados pelo Brasil, as relações de troca melhoraram muito. O que está crescendo sobretudo é o setor primário exportador, indústria de transformação e serviço não estão indo tão bem”, diz o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento estabelecido pelos Brics.

Por outro lado, os estoques públicos de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estão esvaziados, tiveram uma queda de 96% na média anual. Esse estoque era utilizado pelos governos anteriores para segurar os preços dos alimentos.

“Há uma especulação gravíssima contra a comida e falta de política pública”, explica João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST. “A Conab não tem estoque mínimo de nada. Ela acabou como política reguladora de alimentos. Ela arrendou seus barracões para o agronegócio e não existe hoje do ponto de vista social da produção agrícola brasileira. O que significa isso? Que hoje o Estado brasileiro terceirizou tudo para o mercado organizar a política de abastecimento brasileiro. E a tragédia está aí.”

Fome explode no País

De acordo com o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, conduzido pela Rede Pensssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), a fome já atingiu 19 milhões de brasileiros em 2020.

A pesquisa também revelou que 116,8 milhões de brasileiros viveram com algum grau de insegurança alimentar nos últimos meses, o que corresponde a 55,2% dos domicílios.

Veja as maiores altas de alimentos nos últimos 12 meses (Fonte: IPCA/IBGE)

Óleo de soja: 82,34%
Arroz: 56,67%
Feijão-macáçar (fradinho): 50,74%
Peito: 46,17%
Manga: 45,19%
Feijão preto: 42,06%
Músculo: 40,9%
Lagarto comum: 39,57%
Lagarto redondo: 39,13%
Acém: 38,34%

Pesquisa inova com metodologia

9ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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