Pesquisa Fórum: 62,5% acham que o Brasil governado por Lula era melhor do que o de Bolsonaro

As mulheres, os mais jovens e os nordestinos são os que mais avaliam que o país está pior

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O Brasil era melhor entre 2003 e 2010, quando era governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que mostra a 8ª Pesquisa Fórum, realizada entre os dias 12 e 16 de março, em parceria com a Offerwise. Os entrevistados foram questionados se a situação do país era melhor no governo Lula ou agora, de 2019 até os dias atuais, quando Jair Bolsonaro ocupa o Palácio do Planalto. Para 62,5% o Brasil era melhor antes e apenas 37,5% dizem que é melhor agora.

Entre as mulheres, 68,7% afirmam que na época de Lula o Brasil era melhor e 31,3% acham que é agora com Bolsonaro. Já entre os homens, 55,5% preferem os tempos de Lula e 44,5%, os de Bolsonaro.

Os mais jovens são os que mais acreditam que com Lula o país era melhor. Entre 16 e 24 anos, 72,2% consideram que no governo petista o Brasil era melhor, e 27,8% pensam que é melhor agora. De 25 a 34 anos, 71,4% acham que no passado era melhor, contra 28,6%. De 35 a 44 anos, 63,2% dizem que era melhor e agora são 36,8%. De 45 a 59 anos, 55,3% acham que era melhor com Lula e 44,7% com Bolsonaro. Acima de 60 anos, são 54,5% (Lula) e 45,5% (Bolsonaro).

No recorte de escolaridade, 66,9% dos que têm ensino fundamental preferem o país de 2003 a 2010, contra 33,1% o Brasil atual. Entre quem tem ensino médio, 61% dizem que o Brasil era melhor, contra 39% agora. Os que têm ensino superior são 58,8% que acreditam que o passado era melhor e 41,2% acham agora melhor.

Os brasileiros com menor renda também consideram que no governo Lula o país era melhor. Até dois salários mínimos, os índices são 68,5% a 31,5%. De dois a três salários mínimos, são 66,3% a 33,7%. De três a cinco salários mínimos, são 54,1% a 45,9%. De cinco a dez, são 51,7% a 48,3%. Acima de dez salários mínimos, são 52,9% a 47,1%.

Entre as regiões, os nordestinos são os que mais sentem saudade dos governos Lula. Para 74,7% o Brasil era melhor e somente 25,3% dizem que agora é melhor. Em seguida vem o Sul, com 63,4% a 36,6%. Depois o Centro-Oeste, com 58,3% a 41,7%. No Sudeste, 57,5% acham que o Brasil era melhor e 42,5% acham agora. No Norte, os índices ficam 52,7% a 47,3%. Ou seja, em todas as regiões do país, os entrevistados consideram que o Brasil era melhor nos governos Lula.  

Não é à toa, pois o ex-presidente Lula terminou seu segundo mandato em 2010, em dezembro, com recorde popularidade. Naquele ano, segundo pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Lula chegou a 87% de aprovação e popularidade. A avaliação positiva do governo Lula era de 80%.

Atualmente, segundo a 8ª edição da Pesquisa Fórum, Jair Bolsonaro tem 34,5% de aprovação. A avaliação positiva do governo do presidente (ótimo e bom) soma 26,9%.

Para os brasileiros, Bolsonaro só é melhor na segurança e combate à corrupção

A 8ª Pesquisa Fórum também fez a seguinte questão aos entrevistados: comparando Lula e Bolsonaro, quem você acredita que é mais preparado para governar o Brasil? Foram apontadas 12 áreas, em 10, Lula é considerado melhor que o atual presidente.

Apenas em duas áreas Bolsonaro se destaca: segurança e combate à corrupção. São justamente as áreas que o ex-capitão explora em seus discursos desde a disputa de 2018, contando a seu favor com o processo de lawfare que o ex-presidente Lula sofreu da Lava Jato. Bolsonaro, no entanto, viu seu nome ser citado em reportagens do UOL desta semana que apontam indícios de corrupção, no conhecido esquema de ‘rachadinhas’ de Flavio Bolsonaro e Queiroz, também em seu gabinete, quando era deputado federal. Quatro funcionários nomeados no gabinete de Jair retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo – um total de R$ 551 mil dos R$ 764 mil recebidos líquidos.

As áreas onde Lula tem maior vantagem em relação a Bolsonaro são o combate à miséria (52,7% a 26,2%) e geração de emprego (49% a 31,3%).

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Comparando Lula e Bolsonaro, quem você acredita que é mais preparado para governar o Brasil nas seguintes áreas:

COMBATE À CORRUPÇÃO

COMBATE À INFLAÇÃO

COMBATE À MISÉRIA

ECONOMIA

EDUCAÇÃO

GERAÇÃO DE EMPREGO

MEIO AMBIENTE

OBRAS E INFRAESTRUTURA

PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

SAÚDE

SEGURANÇA

VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19

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Pesquisa inova com metodologia

8ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 12  e 16 de março, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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