Pesquisa Fórum: avaliação de Bolsonaro melhora e ótimo e bom bate em 37,5%

Auxílio emergencial contribuiu para aumento do índice positivo; reprovação à gestão do militar reformado caiu

Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A avaliação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) melhorou entre julho e agosto e agora a maior fatia da população considera seu governo ótimo ou bom. É o que mostra a 5ª edição da Pesquisa Fórum, realizada entre os dias 21 e 24 de agosto em parceria com a Offerwise. Para 37,5% dos entrevistados, o governo de Bolsonaro está ótimo ou bom. Já os que consideram o governo ruim ou péssimo são 35,3% e os que o acham regular são 24,1%.

Essa é a melhor avaliação conquistada no histórico da Pesquisa Fórum. Tanto sua aprovação quanto a reprovação variaram fora da margem de erro do levantamento, de 3,2 pontos percentuais.

Em julho, o governo do militar reformado contava com 39,7% de avaliações como ruim ou péssimo e 33,3% como ótimo ou bom. O mês de junho havia tido a maior desaprovação detectada pela pesquisa 41,6% de ruim/péssimo. Já em maio, as respostas ótimo/bom tinham alcançado seu pior índice, com 32%.

Um dos fatores que explicam essa melhora é o auxílio emergencial pago às pessoas que perderam renda durante a pandemia. Esta edição da Pesquisa Fórum mostra que 13,8% dos entrevistados melhoraram sua avaliação em relação a Bolsonaro por causa do benefício. Eles representam 35,8% daqueles que recebem os recursos. Essa constatação leva a um melhor entendimento da melhora da popularidade do presidente neste período de pandemia.

Avaliação positiva é maior entre homens

Assim como em julho, a avaliação do governo Bolsonaro é melhor entre os homens. Para 26,9%, a gestão atual é ótima. Outros 19,1% a veem como boa. Do outro lado, ela é ruim para 11,2% e péssima para 19,7% dos homens entrevistados.

Já entre as mulheres, a maior fatia das respostas está concentrada na avaliação “péssima”: 27,1% delas disseram ser essa sua impressão do atual presidente. São 12,2% as que o consideram ruim, 26,2% aquelas que responderam que a gestão é “regular”. Nas respostas mais positivas, 14,1% das mulheres responderam que o governo é ótimo e 15,8%, bom.

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Mais ricos reprovam mais

Por renda familiar, a melhor avaliação de Bolsonaro está entre aqueles que ganham entre 5 e 10 salários mínimos: 28,7% dos entrevistados nessa faixa disseram que o governo é ótimo. Os de menor rendimento, até 2 salários mínimos, consideram a gestão majoritariamente regular: 28,1%.

Nesse corte da pesquisa, as maiores reprovações são encontradas entre os entrevistados com maior renda. São 59,4% daqueles que ganham entre 20 e 50 salários mínimos os que avaliam o governo como péssimo.

Por regiões

No Centro-Oeste é onde Bolsonaro encontra mais pessoas que consideram sua gestão ótima: 23,2%. Curiosamente, nessa região também há um grande índice de entrevistados que deram avaliação péssima: 25,5%.

Em oposição a isso, é na região Norte que mais pessoas avaliam o governo como péssimo: 28,7%. Ali, consideram o governo ótimo 19,2%, bom 25,2%,  regular, 23,5% e ruim 3,5%.

Na região Nordeste, onde o presidente perdeu nas eleições de 2018, 24,7% dos entrevistados consideram o governo péssimo, 12,9% o veem como ruim,  23% como regular, 16,2% o avaliam como bom e 18,6% como ótimo.

O Sudeste tem uma posição mais negativa. São 22,9% de péssimo, 13,1% de ruim, 24,9% de regular, 21% de ótimo e 15,6% de bom. Em toada semelhante foi a avaliação detectada na região Sul: 18,9% de ótimo, 17,7% de bom, 26,6% de regular, 12,7% de ruim e 20,1% de péssimo.

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Pesquisa inova com metodologia

A 5ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta. Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Este post foi modificado pela última vez em 28 ago 2020 - 09:39 09:39

Fabíola Salani: Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.