Pesquisa Fórum: brasileiro defende uso dos recursos do pré-sal em saúde e educação

Pesquisa Fórum mostra que 92,4% aprovam destinação da verba; mas mais da metade reprovam que preços de combustíveis sigam valores cobrados nos EUA e Europa

(Foto: Agência Brasil)

Mais de 9 a cada 10 brasileiros aprovam que os recursos arrecadados pelo governo com a exploração do petróleo no pré-sal sejam investidos prioritariamente em saúde e educação. Mais precisamente, 92,4% são favoráveis a essa destinação, de acordo com a 5ª Pesquisa Fórum, realizada entre 21 e 24 de agosto em parceria com a Offerwise, sob consultoria de Wilson Molinari. Para o levantamento, foram ouvidas mil pessoas de todas as regiões do país.

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Era exatamente para educação, saúde e outras áreas sociais que o dinheiro era totalmente direcionado, seguindo regra criada em 2010, durante o governo Lula. No entanto, no ano passado o Congresso aprovou projeto de lei que reduziu essa fatia e destinou parte dos recursos para construção de gasodutos.

Por qualquer corte que se analise – gênero, renda, idade -, o percentual dos que aprovam esse uso é sempre muito alto. Por exemplo, quando se observa o resultado por gênero, são 94,1% das mulheres e 90,5% dos homens os favoráveis a esse uso das verbas dos campos do pré-sal.

A divisão por faixa etária mostra que 98% dos entrevistados com 60 anos ou mais aprovam a destinação desses recursos prioritariamente para saúde e educação. Na outra ponta, a menor taxa de aprovação está entre os mais jovens: 88,4% dos pesquisados entre 16 e 24 anos são favoráveis à prática.

Os mais ricos, com renda de 20 a 50 salários mínimos, são os que mais querem esse uso dos recursos: 97,5%. Mas mesmo a menor taxa nesse corte da pesquisa é alta: 89,1% daqueles que ganham até 2 salários mínimos.

Preços dos combustíveis

A Petrobras está seguindo os valores praticados nos Estados Unidos e na Europa para definir os preços cobrados, aqui no Brasil, por gasolina, diesel e gás de cozinha. A depender da avaliação da população, no entanto, essa política está equivocada.

Entre as mil pessoas ouvidas na 5ª Pesquisa Fórum, 59% são contra essa forma de definir os preços dos combustíveis.

Na análise por renda, gênero, escolaridade e região do pesquisado, esse critério só é aprovado pela maioria em especificamente um corte: pessoas de 25 a 34 anos, entre as quais 59,9% são favoráveis à metodologia.

A maioria tanto de homens (59,8%) quanto de mulheres (58,4%) se disse contra essa política de preços. Também ficaram contra a maior parte dos entrevistados de todas as escolaridades: 53,7% daqueles que têm até o ensino fundamental, 57,5% dos que têm ensino médio e 70,9% dos com ensino superior.

Por renda, a medida também foi desaprovada pela maioria em todas as faixas, sendo a maior taxa de reprovação os 70,5% constatados entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos.

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Pesquisa inova com metodologia

A 5ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Este post foi modificado pela última vez em 27 ago 2020 - 12:54 12:54

Fabíola Salani: Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.