sábado, 31 out 2020
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Pesquisa Fórum: cresce avaliação negativa da atuação de Bolsonaro na pandemia

Em agosto, 38,8% dos entrevistados consideravam a atuação de Bolsonaro na pandemia como ruim ou péssima e, agora, número é de 39,3%; avaliação de ótimo e bom caiu de 37% para 33,9%; saiba mais

O país segue bem dividido com relação à maneira como avalia a atuação do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia do coronavírus. No início da crise sanitária, o incentivo do capitão da reserva às aglomerações, a rejeição à máscara e a minimização da Covid-19 fizeram a avaliação negativa do presidente subir e a positiva cair. Com o pagamento do auxílio emergencial, no entanto, Bolsonaro foi melhorando sua percepção diante da população mas, neste mês de outubro, o número daqueles que consideram a atuação do presidente como ruim ou péssima voltou a subir, enquanto a avaliação positiva apresentou queda.

É o que mostra a 6ª edição da Pesquisa Fórum. O levantamento foi realizado entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari.

Segundo o levantamento, 39,3% dos brasileiros consideram a atuação de Bolsonaro na gestão da pandemia do coronavírus ruim ou péssima. Este número, em agosto, era de 38,9%.

Já o número daqueles que consideram a atuação do presidente na crise como boa ou ótima caiu: era de 37% em agosto e agora, em outubro, é de 33,9%.

Já os que avaliam a condução de Bolsonaro em meio à pandemia como regular são 23,6%. Os que responderam que não sabem fazer a avaliação representam 3,2%.

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Renda

A pesquisa revela ainda que a avaliação negativa da “gestão” Bolsonaro na pandemia é mais acentuada entre a população com maior poder aquisitivo e mais escolarizada, o que sinaliza, em partes, que aqueles que não receberam o auxílio emergencial têm uma percepção pior do presidente do que aqueles que receberam o benefício.

Entre os que têm renda acima de 10 salários mínimos, a avaliação de ruim e péssimo da atuação de Bolsonaro na crise é de 57,8%, enquanto os que avaliam essa atuação de forma positiva representam 37%. São 3,3% que acham que o presidente atua de maneira regular.

Já entre os que recebem de 5 a 10 salários mínimos, a avaliação positiva de Bolsonaro em meio à pandemia é maior que a negativa: 40,9% deste segmento diz que a atuação do presidente é ótima ou boa, enquanto 39,7% dizem que é ruim ou péssima. 18,8% avaliaram como regular.

O cenário é parecido entre os que têm renda de 3 a 5 salários mínimos: 43,6% deste grupo acredita que Bolsonaro atua de forma ótima ou boa na condução da gestão da pandemia, enquanto 41,6% avaliam negativamente. A avaliação de regular, neste recorte, é de 12%.

Já no segmento dos que recebem de 2 a 3 salários mínimos como renda mensal, o cenário é mais divido: 35,4% consideram a atuação do presidente como ótima ou boa e 34,3% acham que é ruim ou péssima. Os que consideram regular são 25,5%.

Entre os que ganham até dois salários mínimos a avaliação negativa volta a ser maior que a positiva: 38,3% dos entrevistados consideram a atuação de Bolsonaro na pandemia como ruim ou péssima, enquanto 26,9% dizem que essa atuação é ótima ou boa. A avaliação de atuação regular neste grupo é de 31,4%.

Escolaridade

Os brasileiros com maior nível de escolaridade, segundo a Pesquisa Fórum, são os que mais rejeitam a atuação de Bolsonaro na gestão da pandemia. 51,6% daqueles que possuem Ensino Superior consideram a forma como o presidente lida com a crise ruim ou péssima, enquanto a avaliação positiva é de 35%. São 12,3% os que consideram regular.

Entre os que possuem Ensino Médio a diferença entre as avaliações é menor, mas ainda assim há mais pessoas que têm percepção negativa do que positiva: 41% disseram que a gestão de Bolsonaro na crise sanitária é ruim ou péssima, contra 32,7% de avaliação positiva. Neste grupo, 24,4% acham a atuação do capitão da reserva regular.

Já entre os menos escolarizados, que possuem somente o Ensino Fundamental, a avalição de bom e ótimo é maior, 34,8%, contra 29,1% de ruim ou péssimo e 29,6% de regular.

Região

No recorte por região, a pior avaliação da atuação de Bolsonaro na pandemia está no Nordeste: 44,6%. 22,9% avaliam positivamente e 29,5% consideram a postura do presidente regular. No Sudeste a percepção negativa do capitão da reserva também é maior que a positiva: 43,9% de ruim e péssimo contra 34,7% de bom e ótimo. 19,5% consideram a atuação regular.

Em todas as outras regiões do país a percepção positiva da atuação de Bolsonaro na crise é maior que a negativa: 44% X 34,9% no Sul; 39,2% X 18,1% no Centro-Oeste e 41,4% X 26,4% no Norte.

Faixa etária

A avaliação de ruim e péssimo com relação à maneira como Jair Bolsonaro atua na pandemia é maior entre os mais jovens. Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 47% consideram a gestão do presidente como ruim ou péssima, enquanto 21,4% consideram ótima ou boa e 26,7% acham regular.

Já a melhor avaliação da atuação do capitão da reserva se concentra entre os mais velhos: na faixa etária de 60 anos ou mais, 45% acreditam que Bolsonaro atua na pandemia de forma boa ou ótima, contra 40,3% de ruim e péssimo e 13,5% de regular.

Gênero

A Pesquisa Fórum mostra também que as mulheres estão mais descontentes que os homens com relação à atuação de Bolsonaro na pandemia. 43,9% das entrevistadas disseram que Bolsonaro lida de forma ruim ou péssima com a crise, enquanto, entre os homens, esse número é de 34%.

Entre os que avaliam a atuação do presidente como ótima ou boa, 41,6% são homens e 27,2% são mulheres.

Governo federal na pandemia

O levantamento da Fórum aponta também que a avaliação da atuação governo federal na gestão da pandemia do coronavírus é melhor do que a avaliação de Jair Bolsonaro. O número dos que avaliam o governo positivamente teve ligeira queda de agosto para outubro, mas ainda é maior do que os que avaliam negativamente.

São 33,5% dos entrevistados que disseram que o governo faz uma atuação ótima ou boa em meio à crise, enquanto 33,2% acham que essa atuação é ruim ou péssima. 29,8% consideram regular e 3,5% não sabem.

Assim como na pergunta em que os entrevistados foram questionados sobre a atuação de Bolsonaro em meio à pandemia, na pergunta sobre a atuação do governo federal a avaliação negativa se concentra mais entre os que possuem maior poder aquisitivo e escolaridade.

Renda

A pior avaliação da atuação do governo na pandemia está entre aqueles que recebem mais de 10 salários mínimos mensais, ou seja, a população com maior poder aquisitivo. São 57% os que consideram a gestão do governo federal para o coronavírus como ruim e péssima, contra 33,9% de avaliação positiva e 33,9% de avaliação positiva. Os que consideram a atuação do governo regular somam 7,1%.

Entre todas as outras faixas de renda a avaliação negativa da atuação do governo na crise é maior que a positiva. Entre os que recebem até 2 salários mínimos, isto é, a população mais pobre, o índice de bom e ótimo é de 26,2% Neste segmento 31,2% consideram a gestão do governo para o coronavírus ruim ou péssima e 37,9%, regular.

Escolaridade

Assim como na avaliação da atuação de Bolsonaro na pandemia, aqueles que consideram a gestão do governo federal na crise como ruim e péssima se concentram, principalmente, entre os mais escolarizados. 45% dos entrevistados que possuem Ensino Superior consideram a atuação do governo ruim ou péssima, contra 33,2% de avaliação positiva e 20,4% de avaliação regular.

Somente entre aqueles que possuem apenas Ensino Fundamental a avalição positiva do governo com relação à pandemia é maior que a negativa: 33,6% contra 24,9%. Neste segmento, a avaliação regular é de 35,4%.

Região

A avaliação negativa da atuação do governo federal na pandemia, assim como na avaliação de Bolsonaro, também é maior no Nordeste. Nesta região, 39,3% dos entrevistados consideram a gestão do governo diante da crise como ruim e péssima, enquanto os que consideram positiva somam 25,4%. Entre os nordestinos, consideram a atuação do governo regular 32,1%.

Já a melhor avaliação da forma como o governo lida com a crise sanitária está na região Sul: 42,7% consideram ótima ou boa, contra 28% de ruim ou péssimo e 25,9% de regular.

Faixa etária

No recorte por idade, a Pesquisa Fórum confirmou, assim como na avaliação de Bolsonaro, que a avaliação do governo na pandemia é melhor entre os mais velhos e pior entre os mais jovens.

Na faixa etária de 16 a 24 anos, 35,9% dizem que a atuação do governo na gestão da pandemia é ruim ou péssima. 18,3% consideram essa atuação positiva e 40,6% regular.

Já entre a população com 60 anos ou mais o cenário se inverte: 45,7% consideram a gestão governamental para a crise como ótima ou boa, enquanto 35,8% acham ruim ou péssima e 16,9% dizem que é regular.

Gênero

A avaliação negativa da forma como o governo enfrenta o coronavírus, tal como na avaliação de Bolsonaro, também é maior entre as mulheres do que entre os homens.

Elas representam 37,1% dos que responderam que a atuação do governo na crise é ruim ou péssima, enquanto essa é a avaliação de 28,8% dos homens.

Entre os que acham que o governo federal conduz bem as políticas contra a crise sanitária, 40,3% são homens e 27,4% são mulheres.

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Pesquisa inova com metodologia

6ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Ivan Longo
Ivan Longo
Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.