sábado, 31 out 2020
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Pesquisa Fórum: Enquanto Bolsonaro sobe, avaliação de governadores segue estável

Melhor avaliação ficou para Rui Costa (PT), da Bahia, com 42,2% de ótimo/bom; em processo de impeachment, Witzel (PSC), do Rio, teve 66,9% de ruim/péssimo

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viu melhorar a avaliação de sua gestão diante da pandemia do novo coronavírus em agosto, os governadores não obtiveram o mesmo resultado. A popularidade deles se mantém estável pelos resultados da 5ª edição da Pesquisa Fórum, realizada entre os dias 21 e 24 de agosto. O levantamento é feito em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari.

Os que consideraram a atuação dos governadores ótima ou boa em agosto foram 30,6%, ante 29,2% em julho. Para 33,2%, ela foi regular (eram 34,3% no mês anterior). Por fim, 34,2% qualificaram como ruim ou péssima a atitude dos líderes dos Executivos estaduais (33% em julho). As variações ficaram dentro da margem de erro da pesquisa, de 3,2 pontos percentuais.

Chama a atenção o fato de que, em abril, os governadores tinham 51,6% de ótimo/bom e apenas 18,8% de ruim/péssimo. No mês seguinte, depois de sucessivos ataques de Bolsonaro, as boas avaliações (ótimo/bom) já tinham despencado para 34,6% e as desaprovações (ruim/péssimo), subido para 32,6%.

Esse desempenho contrasta com a melhora da avaliação de Bolsonaro. O capitão reformado passou os últimos seis meses atacando o distanciamento social e as medidas dos governadores, defendendo a cloroquina para o tratamento da Covid-19 – cuja eficácia não é comprovada – e qualificou a doença que já matou mais de 120 mil brasileiros como gripezinha.

E, com tudo isso, a porcentagem dos que acham que sua atuação na crise é ótima ou boa cresceu de 29,1% em julho para 38,7%.

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Nordeste com melhor avaliação

Por regiões, as ações dos governadores são mais bem avaliadas no Nordeste, com 36,6% de ótimo/bom, 31,5% de regular e 29,3% de ruim/péssimo. Vale destacar que, dos nove estados nordestinos, sete são governados por políticos do campo progressista.

No Sul, o índice de ótimo/bom ficou em 31,3%, de regular em 40,7% e de ruim/péssimo em 24,5%. A seguir, aparece a região Norte, onde 30,5% da população avaliou que as atitudes dos Executivos estaduais foram ótimas ou boas, 43,3% as viram como regulares e 26,2% como ruins ou péssimas.

A pesquisa mostra que, no Centro-Oeste, 29,1% deram avaliação de ótimo/bom para os governadores. Para 35% eles agiram de maneira regular e 34,8% responderam ruim/péssimo.

Por fim, a pior avaliação ficou na região Sudeste. Nesta região, o ótimo/bom foi 27%, o regular foi 29,4% e o ruim/péssimo ficou em 41,9%.

Rui Costa (PT) é o melhor

Entre os governadores que a Pesquisa Fórum permitiu analisar o que tem melhor avaliação é Rui Costa (PT) da Bahia, assim como na 4ª edição da pesquisa, em julho. Em agosto, 42,4% dos brasileiros consideram a atuação do governador na pandemia ótima ou boa, 21,7%, regular e 34,2%, ruim ou péssima.

Ele manteve a liderança positiva entre os governadores de estados com mais óbitos por Covid-19.

Witzel é o pior

Sob processo de impeachment e afastado na última sexta-feira (28) por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, é o governador com pior avaliação sobre as medidas tomadas no âmbito da crise sanitária.

O índice de ótimo/bom do ex-juiz federal ficou em 10,3%, ante 7,7% do mês anterior. Por outro lado, o ruim/péssimo disparou de 59,2% em julho para 66,9% em agosto. E 22,7% viram suas ações como “regulares” – eram 26,5% em julho.

Eleito com discurso alinhado a Bolsonaro, Witzel se afastou do presidente especialmente no início da pandemia. Virou desafeto e agora amarga a possibilidade de cassação.

Doria vê melhoria em avaliação positiva

Em São Paulo, João Doria (PSDB) registrou melhoria na avaliação positiva (ótimo/bom) das ações de seu governo, que subiu de 21,8% em julho para 29,2% em agosto. O índice de regular caiu, de 38,1% para 29,8%. E a avaliação negativa (ruim/péssimo) variou dentro da margem de erro da pesquisa, de 37,7% em julho para 39,4% em agosto.

Zema perde ótimo e bom

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), viu seu índice de ótimo/bom nas ações para a pandemia piorar, de 40% em julho para 32,7% em agosto. Na mesma comparação, o ruim/péssimo ficou estável, passando de 29,8% para 29%. A avaliação regular variou exatamente no limite dos 3,2 pontos da margem de erro, de 25,8% para 29%.

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Pesquisa inova com metodologia

5ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.