sábado, 31 out 2020
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Pesquisa Fórum: Nordeste mantém alta taxa de reprovação a Bolsonaro mesmo com auxílio emergencial

O chapéu de cangaceiro e o benefício social não foram suficientes para Bolsonaro melhorar a popularidade na região e presidente é reprovado mesmo entre os nordestinos com alto poder aquisitivo

A 6ª Pesquisa Fórum mostra que a taxa de reprovação do presidente Jair Bolsonaro no Nordeste segue alta: 58,6% dos nordestinos reprovam o governo, enquanto a aprovação do presidente na região é de 41,4%. Nacionalmente, 51,9% dizem que aprovam o governo e 48,1% desaprovam.

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A pesquisa mostra que as mulheres nordestinas são mais críticas ao governo que os homens. Entre os homens nordestinos, 47,2% dizem aprovar o governo e 52,8% reprovam. Entre as mulheres, somente 35,7% aprovam e 64,3% reprovam a gestão.

O levantamento mostra ainda que a reprovação de Bolsonaro é maior que a aprovação não só entre os mais pobres, mas também entre os mais ricos. 54,2% dos moradores do Nordeste que recebem 10 ou mais salários mínimos mensais reprovam o governo, enquanto 45,8% aprovam.

Entre os mais pobres – pessoas que recebem até 2 salários mínimos – a rejeição é maior: 61%. A aprovação do governo neste segmento é de 36,9%.

A pior avaliação de Bolsonaro no Nordeste está entre os mais jovens. 76,3% da população nordestina que tem entre 16 e 24 anos reprovam o governo, enquanto somente 23,7% deste grupo aprova. Já a aprovação do presidente na região é maior entre os mais velhos: 52% das pessoas com 60 anos ou mais aprovam o governo, enquanto 48% reprovam.

No recorte por escolaridade, destaca-se a reprovação do governo entre os nordestinos que possuem o Ensino Médio: 61,9%, contra 38,1% de aprovação. Já os que possuem Ensino Superior estão mais divididos: 50,7% aprovam o governo e 49,3% reprovam.

Em 2020, principalmente a partir de agosto, o presidente iniciou uma empreitada para tentar aumentar a popularidade na região: viajou para estados nordestinos diversas vezes – somente em agosto foram três ocasiões, e o capitão da reserva seguiu com as viagens nos meses seguintes e, a última, foi esta semana, para Aracaju (SE).

O presidente passeou de jumento, colocou chapéu de cangaceiro, tentou se mostrar como uma figura do “povo” e investiu até mesmo no som da sanfona em suas lives com o presidente da Embratur, Gilson Machado.

Muitos acreditavam que os nordestinos estariam “à venda” e que, com o auxílio emergencial e as incursões de Bolsonaro, o presidente conseguiria melhorar sua aprovação. De acordo com a Pesquisa Fórum, 46,5% dos moradores do Nordeste disseram ter recebido ou estar recebendo o auxílio emergencial. Na edição de julho da pesquisa, 39,5% dos nordestinos diziam aprovar o governo e 60,5% reprovavam.

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Pesquisa inova com metodologia

6ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Ivan Longo
Ivan Longo
Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.