Pesquisa Fórum: Para 61,1%, Santos agiu bem em cancelar contrato com Robinho

A maioria dos brasileiros acreditam que o jogador de fato cometeu o estupro. Entre os que rejeitam a decisão do clube, a maioria é homem

A decisão do Santos FC em suspender o contrato com o jogador Robinho, acusado de participar de um estupro coletivo na Itália, foi correta para 61,1% dos brasileiros consultados na Pesquisa Fórum deste mês de novembro. Apenas 10,8% disseram não concordar com a decisão, enquanto 28,1% não souberam responder.

Entre os entrevistados que rejeitaram a decisão do Santos, apoiando a permanência de Robinho no clube, a maioria é homem: 14,3%. Apenas 8,4% das mulheres opinaram o mesmo. Em relação aos que apoiam a medida, homens (62,2%) e mulheres (60,1%) aparecem em equilíbrio.

A suspensão do contrato do jogador foi apoiada especialmente entre os mais jovens. Nesse grupo, 69,9% opinaram a favor da decisão do Santos. Enquanto isso, pessoas com idade entre 45 e 59 anos foram as que mais rejeitaram o rompimento com Robinho: 14,2%.

Em relação à escolaridade e renda, a maioria dos que afirmam ser correto a suspensão do jogador tem ensino superior e ganham de cinco a 10 salários mínimos. Em ambas as categorias, 71,6% dos entrevistados apoiaram a decisão.

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Em cenário contrário, a maioria dos que rejeitaram a suspensão de Robinho estudaram até o ensino fundamental (16,6%) e ganham até dois salários mínimos (12,1%).

O Santos anunciou a suspensão por meio de nota à imprensa no dia 16 de outubro, seis dias depois de divulgar a contratação do jogador. Mais cedo naquele dia, o programa Globo Esporte havia divulgado gravações que comprovam a participação de Robinho no estupro. Os diálogos foram usados no processo em que a justiça italiana condenou o atacante.

A nota foi divulgada após diversos patrocinadores – Brahma, Philco, Tekbond, Kicaldo e Casa de Apostas – pressionarem o clube pela suspensão do contrato. Desde a chegada na Vila Belmiro, uma forte campanha contra a contratação explodiu, principalmente entre torcedoras.

Culpado ou inocente?

A Pesquisa Fórum também questionou os entrevistados se, na opinião deles, Robinho de fato cometeu o estupro ou não. Para a maioria, 52%, o jogador é culpado, enquanto apenas 7,5% disseram que ele é inocente. Uma parte considerável, no entanto, afirmou não ter uma opinião: 40,5%.

Entre os que afirmam que Robinho é culpado, a maioria também é mais jovem (58,2%). Já os que consideram o jogador inocente são, em sua maioria, pessoas de 25 a 34 anos (8,5%) e 45 a 59 anos (8,1%).

A mesma tendência em relação aos que consideraram justa a suspensão do jogador é verificada nos recortes de escolaridade e renda. Os mais ricos são os que mais julgam Robinho como culpado pelo estupro, enquanto a maior parte dos entrevistados que o consideram inocente estão entre as classes mais baixas.

Para 63,2% dos que têm ensino superior, Robinho é culpado enquanto 62% para os que ganham 10 ou mais salários mínimos. Já os que afirmam que o jogador não cometeu o estupro, a maioria estudou até o ensino fundamental (9,5%) e ganha de dois a três salários mínimos (8,8%).

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Pesquisa inova com metodologia

7ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 4 e 9 de novembro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Luisa Fragão

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Renato Rovai
Editor da Revista Fórum

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