Pesquisa Fórum: para 69,1% atraso de Bolsonaro na vacinação prejudicou a economia

Brasil poderia ter iniciado a vacinação em dezembro de 2020 se o presidente tivesse negociado com a Pfizer ou com o Instituto Butantan

A Pesquisa Fórum, realizada em parceria com a Offerwise, mostra que dois em cada três brasileiros acreditam que a economia poderia estar melhor se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tivesse iniciado a vacinação no País ainda em 2020.

Para 69,1% dos entrevistados se a imunização da população tivesse ocorrido de forma mais rápida, o Brasil teria menos problemas na economia. Apenas 21,8% afirmam que a vacinação não tem relação com a economia e 9% não souberam responder.

Esse índice é ainda maior entre mulheres (75,1%), os mais jovens de 16 a 24 anos (76,3%), entre quem ganha de cinco a dez salários mínimos (76,6%) e no Nordeste (75,7%).

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O Brasil poderia ter iniciado a vacinação em dezembro de 2020 se o presidente Jair Bolsonaro tivesse negociado com a empresa Pfizer ou com o Instituto Butantan. Segundo a CPI da Covid, o governo Bolsonaro deixou de responder 101 e-mails da farmacêutica Pfizer tentando oferecer a sua vacina. No ano passado, a empresa ofereceu 70 milhões de doses ao Brasil, com entrega ainda em dezembro de 2020. Já em relação ao Instituto Butantan, Bolsonaro recusou oferta para a compra de 100 milhões de doses da vacina Coronavac, produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A previsão de entrega era de 60 milhões de doses até dezembro do ano passado.

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Apesar do Produto Interno Bruto (PIB) ter crescido 1,2% no primeiro trimestre, em comparação com os últimos três meses do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego segue em patamares recordes, a pobreza cresce e o preço dos alimentos subiram bem mais do que a inflação do último ano.

De acordo com cálculo realizado pelo FGV Social a partir de dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads) Contínua e Covid-19, quase 27 milhões de brasileiros estão vivendo na pobreza extrema. O número representa 12,8% da população.

Em relação ao desemprego, dados da Pnad, divulgados pelo IBGE, em maio, revelam um aumento de 0,8 pontos porcentuais na taxa de desemprego, que bateu 14,7%, recorde da série histórica, iniciada em 2012. Enquanto isso, o preço dos alimentos subiu 15% no país, o que significa três vezes a taxa oficial de inflação, de acordo com o o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), divulgado pelo IBGE.

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Pesquisa inova com metodologia

9ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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