Pesquisa Fórum: Popularidade de Bolsonaro volta a cair e ruim ou péssimo bate em 40%

Em abril, Bolsonaro chegou a ter 19,6% de avaliação negativa e 46,5% de ótimo ou bom; agora o cenário é outro, confira

Em trajetória de queda, a avaliação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a piorar nesta nova Pesquisa Fórum do mês de novembro. O levantamento mostra que a parcela da população que considera a administração ruim ou péssima, que era de 35,3% em agosto e 36,5% em outubro, voltou a subir, agora para 40%. Na outra ponta, o índice de ótimo e bom que era de 37,5% no final de agosto caiu para 34,9% no começo de outubro e agora no início de novembro chegou em 30,9%. Uma diferença de aproximadamente 7% em dois meses.

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O índice de brasileiros que consideram o governo Bolsonaro regular cresceu na margem de erro. Eram 24,1% no final de agosto, 26,2% em outubro e agora representam 27,5%. Os que não quiseram ou não souberam responder são 1,6%, o menor percentual do ano.

Esta 7ª edição da Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 4 e 9 de novembro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari. Sua margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

Mulheres e jovens reprovam mais Bolsonaro

Assim como nas pesquisas anteriores, as mulheres seguem sendo as mais críticas em relação ao desempenho do governo Bolsonaro do que os homens. Entre elas, 44,8% avaliam a administração como ruim/péssima (eram 42,2% em outubro), 28,8% como regular e a menor fatia, 24,1%, como ótimo/bom (ante 27,2% no mês passado). Já entre os homens 33% o veem como ruim/péssimo (eram 30%), 25,6% como regular e 40,9% como ótimo/bom.

No corte por faixa etária, são os mais jovens, aqueles que têm entre 16 e 24 anos, os que mais reprovam o governo: 47,2% o avaliam como ruim/péssimo, 29,8% como regular e um a cada cinco, ou 21,3%, como ótimo/bom. Na outra ponta, são os brasileiros com mais de 60 anos os mais favoráveis ao titular do Planalto: enquanto 44,4% veem sua administração como ótima/boa, 35,9% a avaliam como ruim/péssima e 18,3% de regular.

Assim como em outubro, a Pesquisa Fórum mostrou que quanto maior a escolaridade, mais o brasileiro desaprova o governo Bolsonaro. Assim, entre aqueles que têm até o ensino fundamental Bolsonaro é ótimo/bom para 34,3%, regular para 32% e ruim/péssimo para 32%. A avaliação dos pesquisados com ensino médio se divide entre 31,3% de ótimo/bom, 25,1% de regular e 36,3% de ruim/péssimo. Quando o nível de escolaridade é o ensino superior, 51,9% responderam que o governo é ruim/péssimo, ante 28,1% para ótimo/bom e 18,9% de regular.

Maior índice de ruim e péssimo está no Sudeste

Nesta edição da pesquisa, o Sudeste é a região em que Bolsonaro marca o maior índice de ruim/péssimo: 43,5%. No Nordeste, para onde Bolsonaro tem viajado com frequência, essa avaliação negativa é compartilhada por 40% dos entrevistados.

Uma surpresa desta pesquisa de novembro foi a região Sul. O presidente tinha ali índices razoáveis de aprovação nos levantamentos anteriores – no mês passado, o ótimo/bom tinha sido predominante, com 46,2%. Mas desta vez a maior fatia ficou com a avaliação ruim/péssimo: 36,5%. O ótimo/bom caiu para 29,5% e o regular marcou 30,8%.

O Norte (32,7%) e o Centro-Oeste (32,8%) são as regiões do país com maiores taxas de ótimo/bom, embora na primeira tenha sido o conceito “regular” o que mais recebeu menções, 42,9%.

Aumenta a rejeição de Bolsonaro na classe média

Na faixa de renda entre 5 e 10 salários mínimos, Bolsonaro tem 47,7% de ruim/péssimo – o maior índice da série histórica da pesquisa para este recorte. O melhor desempenho do presidente, fica entre aqueles que têm maior renda, com mais de 10 salários, com 44% de ótimo/bom. O pior desempenho é entre os que recebem até 2 salários mínimos, com 26,7% de ótimo ou bom.

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Pesquisa inova com metodologia

7ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 4 e 9 de novembro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.