Pesquisa Fórum revela que 71,4% é a favor da legalização da maconha medicinal

Já 60,1% da população brasileira se diz contrária à legalização da maconha para uso recreativo

A 7ª edição da Pesquisa Fórum revela que 71,4% dos brasileiros são favoráveis à legalização da maconha para uso medicinal e apenas 20,7% são contrários a essa iniciativa. Entre as mulheres, a pesquisa mostra que 72,1% são favoráveis à maconha medicinal, número um pouco mais do que entre os homens, 70,4%.

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Curiosamente, quando separados por idade, o maior apoio à legalização da maconha para uso medicinal se dá entre as pessoas de 60 anos ou mais, 78,9%. Na sequência, vem as pessoas com idade entre 45 a 59 anos, 73,6%; depois de 35 a 44 anos, 70,6%; entre 25 e 34, 70,1%. E entre 16 a 24 anos o apoio baixa para 68,1%. Quanto mais jovem maior a rejeição à legalização da maconha medicinal.

Entre as pessoas com ensino superior, a liberação da maconha medicinal tem mais apoio: 79,6%. Depois no grupo com ensino médio, 70%, e entre aquelas pessoas com ensino fundamental, o apoio é de 62,1%.

Na estratificação por renda mensal, a maconha para uso medicinal tem o seu maior apoio entre aqueles que recebem de 5 a 10 salários-mínimos: 77,1%. Na faixa de 3 a 5 salários-mínimos, 76,4%; de 2 a 3 salários, 72,5%; até 2 salários, 67,4%.

Maioria dos brasileiros são contra a legalização da maconha no Brasil

Se por um lado a maioria da população brasileira apoia a legalização da maconha para fins medicinais, essa mesma maioria se revela contrária à liberação para fins recreativos.

São 60,1% dos brasileiros contra a legalização da maconha no Brasil e 30% a favor. Uma proporção de dois para um.

A pesquisa mostra que 62,3%% dos homens são contrários a legalização ante 29,1% favoráveis Entre as mulheres, 58,6% se declaram contrárias à legalização, 30,6% favoráveis.

No universo de jovens com idade de 16 a 24 anos o apoio à legalização da maconha é maior, mas, o número de contrários ainda é superior com 46,5% contra a legalização e 41,1% a favor.

Entre as pessoas com idade de 25 a 34 anos, 54.5% se declararam contrárias e 31.7% favoráveis. Entre os de 35 a 44, 70,1% são contra e 23,5% a favor.

O apoio à legalização da maconha se torna ainda menor entre as pessoas com mais idade. De 45 a 59 anos, 73% disseram ser contra e 22.3% a favor. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, 68,3% são contra e 22,5% a favor.

A pesquisa também revela que, quanto maior o nível escolar dos entrevistados, maior é o apoio a legalização: dos entrevistados com ensino superior, 36.1% disseram ser favoráveis ante 53% contrários; entre aqueles que possuem Ensino Médio, 60.1% disseram ser contra e 30% a favor. Na faixa do Ensino Fundamental, 72.2% são contra a legalização e 19.5% a favor.

Quando a estratificação é feita por faixa salarial a diferença entre os favoráveis e contrários à legalização é pequena.

Entre aqueles que recebem até 2 salários mínimos, 60.5% são contra e 29.1% a favor; de 2 a 3 salários mínimo, 61% são contra e 26.4% a favor; de 3 a 5 salários mínimos, 57% contra e 35.2% a favor; de 5 a 10 salários mínimo 61.5% são contra e 31.2% favoráveis a legalização da maconha.

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Pesquisa inova com metodologia
7ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 4 e 9 de novembro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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Renato Rovai
Editor da Revista Fórum

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