Preferência pelo PT dispara após volta de Lula ao cenário político, diz pesquisa Fórum

Retorno de Lula ao cenário político reverteu tendência de queda do partido na preferência do eleitorado. PT ainda é, disparado, o partido com maior simpatia entre os brasileiros

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A preferência dos eleitores pelo PT entre todos os partidos políticos disparou e atingiu 17,9% dos eleitores após a decisão de Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que anulou as condenações e devolveu a elegibilidade ao ex-presidente Lula.

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Os dados são da 8ª edição da Pesquisa Fórum, realizada entre 12 e 16 de março, em parceria com a Offerwise. O levantamento mostra uma reviravolta na preferência pelo partido de Lula, que vinha caindo desde o primeiro levantamento, de maio de 2020, quando estava em 13,76%. Em junho do mesmo ano, o porcentual foi para 11,38%, baixou para 9,8% em outubro e chegou ao menor patamar em novembro, com 9,3%.

O PT lidera a lista, seguido pelo PSDB, que marcou 5,6% na última pesquisa – 0,8% acima da anterior. A terceira posição é do PSL, partido usado por Jair Bolsonaro (Sem partido) para chegar ao Planalto, que marcou 4,2%.

O aumento da preferência pelo PT causou um movimento reverso em outros partidos do campo progressista, especialmente no PSOL, que derreteu de 4,2% para 0,9% da preferência dos entrevistados. O PDT oscilou de 2,2% para 1,5%, e o PSB foi de 2,2% para 1,1%. O PCdoB oscilou de 0,4% para 0,5%.

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Renda
A pesquisa mostra que um em cada quatro eleitores – 25,7% – que preferem o PT ganham até 2 salários mínimos. A preferência cai a medida que a renda aumenta: 16,1% entre 2 e 3 SMs, 10,8% entre 3 e 5 SMs, 8,6% entre 5 e 10 SMs, e 5,7% acima de 10 salários.

No PSDB, a configuração é inversa, com a maioria dos eleitores – 10,5% – se concentrando na faixa acima dos 10 salários mínimos. Entre os mais pobres, apenas 3,7% citam os tucanos na preferência.

Regiões
A maioria dos eleitores petistas se concentra no Nordeste, responsável por 31,2% da preferência pela sigla. Já o PSDB é mais forte no Sudeste, onde estão 9,1% de seus eleitores. Mesmo assim, os tucanos ficam atrás do PT, que tem 10,8% de eleitores da região.

Idade
O eleitorado petista também se concentra nas duas faixas mais jovens – que abrange de 16 a 34 anos -, onde se encontra quase 55% das pessoas que preferem a sigla. A maioria – 28,7% – está na faixa dos 25 aos 34 anos. Apenas 10,6% dos eleitores do PT estão na faixa acima dos 60 anos.

Sexo
As mulheres também superam os homens nas adesões ao partido de Lula: 20,5% contra 15,1%. A situação é inversa entre tucanos: 5% contra 6,2%. No PSL, partido que elegeu Bolsonaro, esse percentual é ainda menor com 6,4% de homens e 2,3% de mulheres.

Pesquisa inova com metodologia
A 8ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 12 e 16 de março, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

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Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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