Quase metade da população avalia ação de Bolsonaro contra o coronavírus como ruim e péssima

Para 33,6% a atuação do presidente é péssima, para 14,5%, ruim, um total de 48,2% de desaprovação diante da Covid-19

A avaliação da atuação de Jair Bolsonaro (sem partido) na pandemia do coronavírus é considerada ruim e péssima para quase metade dos brasileiros, segundo dados da 3ª edição da Pesquisa Fórum, realizada em parceria com a Offerwise. Para 33,6% a atuação do presidente é péssima, para 14,5%, ruim, o que dá um total de 48,2% de desaprovação das ações de Bolsonaro diante da Covid-19.

Em maio, quando a 2ª edição da pesquisa foi realizada, eram 46,3% dos brasileiros que consideravam a atuação de Bolsonaro ruim ou péssima. Isso mostra que o presidente, com seu discurso negacionista, não conseguiu convencer os brasileiros de que o coronavírus é só “uma gripezinha”.

No entanto, um em cada três brasileiros continuam “fechados com Bolsonaro” e dizem que a atuação do presidente na pandemia é ótima (14,1%) ou boa (17,1%), somando 31,2% de aprovação. Na pesquisa de maio, eram 28,5%, o que revela que não houve variação para além da margem de erro no período de um mês. Mas em abril, a aprovação do presidente na gestão do coronavírus era de 38,9%. Em dois meses, é possível observar uma queda de 7,7%.

Enquanto as avaliações ruins e péssimas cresceram, o índice dos que consideram a atuação do presidente como regular se manteve estável, com uma leve tendência de queda. Em abril, 23% dos entrevistados consideravam a atuação de Bolsonaro regular, em maio eram 22,3%, já em junho são 18,5%.

Governo federal tem queda na aprovação de quase 20%

Em relação à atuação do governo federal na gestão da pandemia do coronavírus é possível observar que as sucessivas demissões dos ministros da Saúde e a manutenção do cargo vago têm feito a aprovação do governo cair. No início da pandemia, em abril, na 1ª Pesquisa Fórum, quando o ministério tinha Luiz Henrique Mandetta à frente da pasta, 46,5% dos entrevistados consideravam a atuação do governo federal ótima ou boa. Em maio, após a demissão de Mandetta e durante a passagem relâmpago de Nelson Teich, a aprovação caiu para 26,1%. Agora, em junho, mais de um mês sem ministro da Saúde, o governo federal não recuperou sua credibilidade na gestão da pandemia e para 28,8% a atuação do governo é considerada ótima e boa.

Já a desaprovação da gestão do governo federal no coronavírus é crescente. Em abril, 19,6% diziam que a atuação era péssima ou ruim, em maio eram 38,5% e em junho, nesta edição da pesquisa, são 40,6%. O percentual dos que consideram a atuação regular se manteve estável.

Vale lembrar que na Pesquisa Fórum de abril, os entrevistados também foram questionados sobre a avaliação do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que somava 68% de ótimo e bom.

Governadores sofrem maior impacto da crise do coronavírus

Os governadores, que no início da pandemia eram bem avaliados assim como Mandetta, foram muito prejudicados e podem estar sofrendo as consequências dos discursos de Bolsonaro e seus aliados de que a “culpa” da crise é dos governadores. Em abril, 51,6% dos brasileiros diziam que a atuação do governador de seu estado na gestão da pandemia era ótima ou boa. Em maio, esse índice baixou para 34,6%. Em junho, são 33,2% que acreditam que a gestão do governador é ótima ou boa.

Já o índice dos que consideravam a atuação de governadores ruim e péssima era 18,8% em abril, subindo para 32,6% em maio e para 34,1% em junho, nesta 3ª edição da pesquisa.


Os governadores do Sul e do Nordeste são os que mantiveram as melhores aprovações. No Sul, 56,1% da população considera a atuação do governador ótima ou boa e apenas 15,2%, ruim ou péssima. No Nordeste, 40,3% dizem que a atuação do governador do estado é ótima ou boa e 29,6%, ruim ou péssima. A região Sudeste é a que avalia pior seus governadores, com 22,6% de ótimo ou bom e 43,4% de ruim e péssimo.

No Centro-Oeste, 30,7% dizem que a atuação do governador na pandemia é ótima ou boa e 22,2%, ruim ou péssima. No Norte do país, 25,2% acreditam que a atuação é ótima ou boa e 45,7% ruim e péssima.

Pesquisa inova com metodologia

3ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 10 e 13 de junho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existia perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante era manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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Renato Rovai
Editor da Revista Fórum

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