Imprensa livre e independente
09 de junho de 2014, 13h16

O drama e a luta contra o aquecimento global no Pacífico

As ilhas do Pacífico são responsáveis por apenas 0,006% das emissões de gases-estufa e, no entanto, sofrem as piores consequências das mudanças climáticas

As ilhas do Pacífico são responsáveis por apenas 0,006% das emissões de gases-estufa e, no entanto, sofrem as piores consequências das mudanças climáticas Por Vinicius Gomes Foi no final de 2009, quando na COP-15 a cúpula sobre a mudança climática em Copenhague, na Dinamarca, que Ian Fry, o representante do pequeno arquipélago de Tuvalu, no oceano Pacífico, roubou a cena ao fazer um apelo com lágrimas nos olhos aos 192 países participantes que tomassem medidas para evitar o desaparecimento de seu país, freando o aquecimento global. Essa foi a primeira vez que muitas pessoas passaram a notar com mais atenção...

As ilhas do Pacífico são responsáveis por apenas 0,006% das emissões de gases-estufa e, no entanto, sofrem as piores consequências das mudanças climáticas

Por Vinicius Gomes

Foi no final de 2009, quando na COP-15 a cúpula sobre a mudança climática em Copenhague, na Dinamarca, que Ian Fry, o representante do pequeno arquipélago de Tuvalu, no oceano Pacífico, roubou a cena ao fazer um apelo com lágrimas nos olhos aos 192 países participantes que tomassem medidas para evitar o desaparecimento de seu país, freando o aquecimento global.

Essa foi a primeira vez que muitas pessoas passaram a notar com mais atenção à região sul do Oceano Pacífico, ao leste da Austrália e Nova Zelândia. Os países que formam o restante do continente da Oceania são os primeiros na linha de frente quando o assunto é o aumento do nível do mar. No caso de Tuvalu, sua altitude máxima não passa mais do que meros cinco metros acima do mar. O derretimento dos polos cada vez mais acelerado diminui a contagem regressiva para os 11 mil habitantes do país oceânico, que, segundo estudos, poderá desaparecer até 2050.

Veja também:  Pilar del Río, após visita a Lula: "Vi um homem que mantém capacidade de liderança no Brasil e no mundo"

Isso foi há cinco anos e pouca ou quase nenhuma ação foi tomada em relação ao apelo da ilha de Tuvalu. Por isso, dois países “vizinhos” resolveram chamar a responsabilidade de seu destino para si e a adotar leis ambientais que podem ser consideradas pioneiras e servirem de exemplo para outros países.

As nações também insulares de Fiji e Micronésia também sofrem com o avanço do mar. No caso da primeira, tal avanço contamina fontes de água doce e terras agrícolas e torna inabitáveis vastas faixas costeiras; considerando que a sobrevivência de cerca de 870 mil pessoas – é precária, o governo trabalha na primeira política nacional da região para atender aos desafios da migração interna, último recurso para a adaptação: o reassentamento das populações afetadas dentro do próprio país, considerando princípios como o consentimento, a participação e a propriedade comunitária, benefícios equitativos para todos, incluídos os grupos sociais mais desfavorecidos, e todas as questões vinculadas à mudança climática se integrando ao planejamento e ao orçamento nacional.. Além do aumento do nível do mar, Fiji também está sujeita a ciclones, inundações, terremotos e tsunamis.

Veja também:  Haddad sobre novas denúncias da Vaza Jato: "Hoje, finalmente, entendi o conceito de “terrivelmente evangélico”

No caso da Micronésia, um dos conjuntos de ilhas que ficam a meio caminho entre Ásia e Austrália, foi adotada uma nova lei que obriga o Estado a adaptar todas suas políticas e ações do setor público tendo em vista a mudança climática – isso inclui: transporte, saúde, educação, finanças e infraestrutura; além dos próprios órgãos ambientais e gestão de desastres naturais.

Dessa maneira, ambos os países fazem engrossam ainda mais o coro dos Estados insulares do Pacífico quanto a necessidade de enxergar a mudança climática não apenas como uma questão ambiental, mas de fato, um importante obstáculo ao desenvolvimento econômico da região e um terrível perigo para seus habitantes.

Com informações de IPS/Envolverde

Foto de Capa:  Rodney Dekker

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum