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09 de novembro de 2016, 06h57

“Política é a arte do imponderável”: Vitória de Trump coloca em xeque pesquisas e imprensa

Com bagagem de discursos racistas, misóginos e xenofóbicos e lgbtfóbicos, além de acusações de estupro e pedofilia, Donald Trump se elege o 45º presidente dos Estados Unidos.

Com bagagem de discursos racistas, misóginos e xenofóbicos e lgbtfóbicos, além de acusações de estupro e pedofilia, Donald Trump se elege o 45º presidente dos Estados Unidos. Por Matheus Moreira Nesta quarta-feira (9), às 5h30, no horário de Brasília, Donald Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos da América com 279 votos dos colégios eleitorais, contrariando a grande maioria das pesquisas e projeções até então. Creomar Lima Carvalho de Souza, professor da Universidade Católica de Brasília, que está em Ohio a convite do governo dos EUA para acompanhar as eleições, explicou para a reportagem da Fórum que a...

Com bagagem de discursos racistas, misóginos e xenofóbicos e lgbtfóbicos, além de acusações de estupro e pedofilia, Donald Trump se elege o 45º presidente dos Estados Unidos.

Por Matheus Moreira

Nesta quarta-feira (9), às 5h30, no horário de Brasília, Donald Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos da América com 279 votos dos colégios eleitorais, contrariando a grande maioria das pesquisas e projeções até então.

Creomar Lima Carvalho de Souza, professor da Universidade Católica de Brasília, que está em Ohio a convite do governo dos EUA para acompanhar as eleições, explicou para a reportagem da Fórum que a eleição de Trump traz uma característica inquietante de ruptura de sistema de pesquisas:

“Há um princípio fundamental, quando falamos de política e eleição, e que talvez a imprensa e os institutos de pesquisa tenham ignorado. Política é a arte do imponderável e eleição é a arte do impossível. Nesse sentido, a estratégia do Trump de nunca abrir mão da vitória, a sua persistência, o fato de que ele conseguiu se alinhar a um nicho político que efetivamente compareceu às urnas para votar, enquanto a maioria dos apoiadores de Hillary não compareceu efetivamente às urnas, aliada a uma eleição com muitos escândalos que reforçaram muito o sentimento antipolítico, de não pertencimento ao processo, levaram à vitória do Trump”, explica.

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Para ele, a eleição de Trump também foi marcada pela eventual possibilidade da omissão de entrevistados em pesquisas quanto a suas reais intenções de votos, o que coloca em xeque todo um sistema de projeção política eleitoral, tanto nos Estados Unidos, como no Brasil, por exemplo.

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Há um componente comum entre a eleição de Trump nos EUA, Alexandre Kalil em Belo Horizonte (MG) e João Doria em São Paulo, ambos foram eleitos pelo que Carvalho caracteriza como a busca pelo “salvador da pátria”. Para o especialista em relações internacionais, o cenário político atual dos Estados Unidos, assim como no Brasil, aponta para um “desgaste no convívio diário entre o cidadão comum e o ente político, o que leva à desesperança”, e conclui: “sempre que há um crescimento muito grande da desesperança surge a possibilidade de que ganhe espaço um salvador da pátria, e justamente a ideia que Trump buscou transmitir é de que ele resolve tudo e agora temos um cenário no qual o discurso desse homem que resolve tudo será colocado frente a frente com a realidade”.

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Foto: Gage Skidmore/Flickr

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