Bolsonaro recomenda obra de Ustra à professora "esquerdista" e leva invertida de Sâmia nas redes

"Apologia à tortura é crime", disse a deputada federal Sâmia Bomfim ao comentar o episódio

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta populares no Palácio da Alvorada. Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
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Em conversa com estudantes na manhã desta segunda-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro recomendou que uma professora acusada por seus alunos de ser de esquerda lesse o livro "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça", do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ao comentar o caso, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) o acusou de fazer apologia à tortura e ser cúmplice dos crimes na ditadura. "Apologia à tortura é crime. Incentivadores dessa monstruosidade são cúmplices do sofrimento que vitimou inúmeras famílias durante a ditadura. Bolsonaro bebe do esgoto da nossa história. É um episódio que precisamos superar o quanto antes", disse a deputada em sua conta no Twitter. A recomendação de Bolsonaro foi feita nesta manhã na porta do Palácio da Alvorada. Um aluno disse que ele e os colegas tinham uma professora e pediu que Bolsonaro mandasse um abraço para ela, sem dar mais detalhes. O presidente então questionou se a docente era de esquerda e ouviu dos estudantes que sim, era petista. "Fala pra ela ler o livro 'A verdade sufocada' aí. Só ler. Depois ela tira as conclusões. Lá são fatos, não é blá blá blá de esquerdista não", comentou Bolsonaro, mais uma vez idolatrando o torturador. Morto em 2015, Brilhante Ustra foi condenado em segunda instância por práticas de tortura na ditadura militar. O militar também comandou o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações) em São Paulo, no auge da repressão militar. Confira o tuíte de Sâmia Bomfim: https://twitter.com/samiabomfim/status/1178660232731545602