Novo ministro da Educação disse que iria "engrandecer o nome de Deus" quando assumiu Comissão de Ética Pública

"Eu não sou ministro do Supremo do Brasil, eu sou ministro do Supremo Deus e é isso que me alegra", disse Milton Ribeiro quando assumiu a comissão

O pastor e ministro da Educação, Milton Ribeiro - Foto: Reprodução
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Nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro como novo ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, da Igreja Presbiteriana, já cumpria expediente em cargo público por indicação do ex-capitão desde maio de 2019.

Na ocasião, o reverendo foi alçado à Comissão de Ética Pública da Presidência. Ele foi o primeiro nome indicado pelo governo Bolsonaro para assumir uma cadeira no conselho - que passou por uma tentativa de extinção por parte do ministro Onyx Lorenzoni em janeiro de 2019.

"Eu estou me sentindo muito honrado, mas o mais importante para mim é que em tudo o nome de Deus seja engrandecido através do meu testemunho, do meu trabalho e da minha vida. É isso que acredito", disse em entrevista ao portal Gospel Mais, em junho do ano passado.

Apesar de reforçar que possui formação em Direito, o então conselheiro afirma que seguia o caminho da Bíblia nas decisões da comissão de ética.

"Eu nunca pedi para estar nessa posição, nunca pleiteei isso e agora, simplesmente eu faço parte dela e estou acesso a assuntos que eu nem imaginava que existiam também. Eu estou bem tranquilo, porque a Bíblia diz que quando a gente anda por caminhos, por vales de sombra e de morte, o Senhor estará conosco. É Nele que eu confio e somente Nele", declarou.

Ele ainda reclama da repercussão da imprensa que dizia que "Bolsonaro nomeou pastor", mas finaliza reforçando sua relação com a religião. "Eu não sou ministro do Supremo do Brasil, eu sou ministro do Supremo Deus e é isso que me alegra. Eu estou muito tranquilo, não me envergonho do Evangelho e mais ainda, eu também não quero nunca envergonhar o Evangelho", afirmou.

No currículo Lattes de Ribeiro há uma forte ligação com a religião. Graduado em Teologia e em Direito, cursou mestrado em Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde abordou "Liberdade Religiosa" em sua dissertação. No doutorado em Educação, na USP, tratou sobre "CALVINISMO NO BRASIL E ORGANIZAÇÃO: o poder estruturador da educação".

Foi vice-reitor da Mackenzie e atualmente ocupa a Comissão de Assuntos Educacionais da instituição. Ele chega ao MEC após a fuga de Abraham Weintraub para os Estados Unidos e a curta passagem de Carlos Alberto Decotelli, que ficou apenas 5 dias no posto e sequer tomou posse.

Apesar de ser pastor, o novo ministro não seria uma indicação da bancada evangélica da Câmara. Essa bancada foi uma das responsáveis pela erosão da indicação de Renato Feder, que sofreu pressões também da ala olavista do governo – um dossiê teria sido preparado pelos seguidores de Olavo de Carvalho.