“Onde existe muita floresta, existe muita pobreza”, diz ministro de Bolsonaro na COP26

O ruralista Joaquim Leite chegou ao Ministério do Meio Ambiente após a saída de Ricardo Salles do governo Bolsonaro

Jair Bolsonaro e Joaquim Álvaro Pereira Leite | Foto: Marcos Corrêa/PR
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Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente que chegou ao governo Bolsonaro após a saída de Ricardo Salles, se embolou durante discurso realizado na Conferência do Clima de Glasgow, a COP-26, nesta quarta-feira (10) e relacionou as florestas à pobreza.

"Reconhecemos também que onde existe muita floresta, também existe muita pobreza", disse o ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro. Segundo Leite, o governo adotou medidas de "desenvolvimento sustentável" na região amazônica.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, condenou a declaração. O parlamentar acompanha a conferência em Glasgow.

"Essa declaração revela a mentalidade do governo é da década de 70 do século passado: desmatar, para eles, é sinônimo de desenvolver. Como é um governo que despreza a ciencia, não conseguem aceitar que essa visão foi superada por tudo que a ciência tem mostrado", disse Molon ao jornalista Jamil Chade, do Uol.

Brasil isolado na COP

Enquanto ativistas jovens brasileiros e líderes indígenas roubam a cena em uma enorme delegação que luta em defesa do meio ambiente, a comitiva oficial do Brasil tem feito uma participação bastante apagada na COP26. Governadores da Amazônia e do Nordestes e parlamentares também foram à conferência debater sobre meio ambiente.

A atuação do governo tem se limitado ao stand específico do país, onde discursam ministros, ruralistas e onde foi exibido vídeo do presidente Jair Bolsonaro.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a soltar uma de suas pérolas durante debate realizado no stand brasileiro e defendeu a criação e uma espécie de Vale do Silício em plena Floresta Amazônica. A proposta foi batizada por Guedes de “Selva do Silício”.

Ruralista no meio ambiente

O pedido de demissão de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente fez com que o ruralista Joaquim Álvaro Pereira Leite fosse alçado ao comando da pasta em junho. Leite foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade que apoia a bancada Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), por 23 anos.

Antes de assumir o posto, Leite passou pela Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais e pela Secretária de Florestas e Desenvolvimento Sustentável durante a gestão de Salles. Ele era o representante de Salles no Conselho Nacional da Amazônia Legal, comandado pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Além disso, a família do novo ministro possui conflitos agrários com povos indígenas em São Paulo. Segundo reportagem do jornalista João Fellet, na BBC Brasil, documentos da Funai mostram que capatazes que trabalham para os Pereira Leite chegaram a destruir a casa de uma família indígena da TI Jaraguá.

Veja vídeo:

https://twitter.com/Metropoles/status/1458508953965547520