PEC dos Precatórios: Lira ofereceu até R$ 15 milhões por voto, diz colunista

Votação realizada na madrugada foi marcada por manobras antirregimentais promovidas pelo presidente da Câmara

Arthur Lira - Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
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A mobilização do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pela aprovação da PEC dos Precatórios envolveu valores altíssimos. Lira teria prometido a liberação de até R$ 15 milhões em recursos aos parlamentares que decidissem migar para o voto sim.

Segundo informações da jornalista Mariana Carneiro, na coluna da Malu Gaspar em O Globo, dois deputados relataram que Lira fez a oferta milionária no Salão Verde para conquistar votos de última hora. A PEC foi aprovada com um margem bastante apertada, com apenas 4 votos além do necessário para a aprovação.

Ainda segundo a coluna, é possível que os parlamentares nem vejam a cor do dinheiro prometido. As emendas de relator, manejadas por Lira, não tem sido liberadas na velocidade esperada pelos deputados. O presidente da Câmara ainda teria em mãos R$ 5 bi dos R$ 11,5 bi disponíveis.

PEC dos Precatórios

Com uma série de manobras de Lira, a Câmara aprovou nesta madrugada a proposta defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes como forma de estabelecer o Auxílio Brasil, programa temporário que surge para substituir o consolidado Bolsa Família. Parlamentares de oposição apelidaram a proposta como “PEC do calote” e “PEC da chantagem“.

Manobras de Arthur Lira

“Eu trabalho para aprovar, mas não se sabe”, disse o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), logo antes da votação começar. Deputados contrários ao texto denunciaram que, na ânsia de aprovar o texto, Lira realizou vários atropelos no regimento. O primeiro foi a permissão de voto remoto concedida a parlamentares que estão na Cúpula do Clima, a COP26, na Escócia.

Essa mudança ajudava o governo na busca pelos 308 votos necessários para aprovar a proposta. Na votação sobre a antecipação da apreciação da PEC, foram apenas 253 votos favoráveis.

Com o objetivo de modificar o texto para garantir maior adesão à PEC, líderes da base do governo apresentaram Emenda Aglutinativa Global às pressas. Críticos da proposta reclamaram que não poderia haver “emenda aglutinativa” se não havia nenhuma emenda anterior, mas Lira prosseguiu mesmo assim.