General Ramos, da Casa Civil, afirma que tomou vacina escondido para "não criar caso"

Declaração dá a entender que Bolsonaro teria ficado insatisfeito com a imunização do ministro e reforça CPI do Genocídio

Jair Bolsonaro e Luiz Ramos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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O ministro-general Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, declarou nesta terça-feira (27) que tomou a vacina contra a Covid-19 escondido para "não criar caso". A revelação foi feita durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar, a mesma em que o ministro da Economia, Paulo Guedes,  afirmou que “o chinês inventou o vírus” e a “vacina dele é menos eficiente que a do americano”.

“Tomei escondido, né, porque a orientação era para não criar caso, mas vazou. Eu não tenho vergonha, não. Tomei e vou ser sincero. Como qualquer ser humano, eu quero viver, pô. E se a ciência está dizendo que é a vacina, como eu posso me contrapor?”, afirmou o ministro.

"Eu estou envolvido pessoalmente tentando convencer o nosso presidente [a tomar a vacina], independente de todos os posicionamentos. Nós não podemos perder o presidente por um vírus desse. A vida dele, no momento, corre risco – ele tem 65 anos”, disse ainda.

A declaração do ministro foi feita dias depois de vazar um documento da Casa Civil com 23 possíveis acusações e críticas à atuação do governo de Jair Bolsonaro no combate à pandemia que devem ser citadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as omissões do governo na gestão diante da Covid-19, apelidada de CPI do Genocídio.

A fala de Ramos reforça a tese de que o presidente foi negligente com as vacinas e adotou postura negacionista.

Na mesma reunião, o ministro Paulo Guedes disparou ataques contra a China. "O chinês inventou o vírus e vacina dele é menos eficiente que a do americano. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa”, disse.

Com informações do Metrópoles e da Carta Capital