Coaf: Escritório de Salles fez operação suspeita de R$ 1,8 milhão após ministro assumir Meio Ambiente

Relatório foi enviado à PF e serviu como uma das provas para embasar a operação contra o ministro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma movimentação financeira suspeita de R$ 1,799 milhão no escritório de advocacia do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, meses após ele assumir o cargo no governo Bolsonaro. A operação teria ocorrido entre outubro de 2019 e abril de 2020.

O órgão de combate à lavagem de dinheiro produziu um relatório que foi entregue à Polícia Federal. O documento foi utilizado como uma das provas para embasar a Operação Akuanduba, deflagrada na semana passada contra Salles com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os crimes supostamente praticados, segundo a PF, há a prática de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando.

Segundo reportagem de Aguirre Talento e Mariana Muniz, do jornal O Globo, o relatório do Coaf diz que a operação financeira do escritório do ministro destoa "do perfil histórico de operações". Segundo o documento, a transação chamou atenção pelo "volume expressivo" movimentado, valor que seria incompatível com o patrimônio do escritório.

"Suspeita-se da incompatibilidade entre o volume transacionado a crédito no período e o faturamento médio mensal de cadastro, aparentemente, indicando movimentação de recursos não declarados", diz o Coaf. O faturamento médio anual do escritório foi de R$ 350 mil.