Rachadinha dos Bolsonaros: Queiroz, Bolsonaro e ex-cunhada; entenda como funciona o esquema

Áudios divulgados mostram que o esquema ocorreu de 1991 a 2018, quando Bolsonaro era deputado federal

Bolsonaro e Queiroz (Reprodução)
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Por Leandro Massoni*

Bastou a divulgação das gravações feitas por Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para uma suposta atuação do mandatário num suposto esquema de corrupção das rachadinhas vir à tona.

Os indícios do envolvimento de Bolsonaro foram inicialmente identificados no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O filho mais velho do presidente, também conhecido como “01”, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio, acusado de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Esta semana, o senador chegou a admitir que as denúncias contra ele e a família não abalam em nada o governo federal.

Divulgados pelo portal Uol, os áudios indicam que o recolhimento de parte dos salários de funcionários também era feito no antigo gabinete de Jair na Câmara dos Deputados, com a sua participação. E informações anteriores já mostravam o envolvimento de Bolsonaro, quando deputado federal, em transações e práticas semelhantes àquelas que levantaram suspeitas contra o seu filho mais velho.

Com mais esse episódio para a conta e as denúncias de corrupção envolvendo seu governo no processo de compra de vacinas contra a Covid-19, nesta quinta-feira, 08, o presidente ameaçou o futuro das eleições de 2022. A declaração ocorreu durante conversa com apoiadores, em Brasília, um dia depois de novamente citar a existência – até o momento não comprovada – de fraude nas urnas eletrônicas.

O episódio das rachadinhas envolvendo Bolsonaro acontece ao mesmo tempo em que surgiram as novas pesquisas do Datafolha, apontando a sua rejeição que chegou aos 51%, a maior reprovação desde o início do seu mandato. Nesta sexta-feira, 09, o instituto também mostrou que o ex-presidente Lula (PT) tem 46% das intenções de voto, contra 25% do atual governante no primeiro turno.

Como funcionam as rachadinhas dos Bolsonaros?

Por meio da entrega de parte do salário para o titular do gabinete, como é a chamada rachadinha, que foi identificada como uma prática realizada no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro, na Assembleia do Rio de Janeiro.

Dados mostram que assessores chegaram a sacar, em média, 84% do salário líquido que eles recebiam (mais de R$ 4 milhões). A suspeita é que a entrega desse dinheiro à família Bolsonaro ocorria com a quantia viva, para dificultar o rastreamento.

Irmã de Ana Cristina Siqueira Valle, mulher de Bolsonaro entre 1998 e 2007, Andrea tem 50 anos, é fisiculturista e atleta da Confederação Brasileira de Musculação, Fisiculturismo e Fitness e costuma compartilhar sua rotina diária no Instagram. Ela teve 17 parentes empregados nos gabinetes de Jair, Flávio e Carlos nos últimos anos, sendo que dez deles tiveram o sigilo bancário quebrado na investigação sobre o gabinete do 01.

As gravações da ex-cunhada no esquema das rachadinhas

Os áudios são considerados como o primeiro indício que aponta uma participação ativa de Jair Bolsonaro no esquema, levando em conta os períodos de 1991 a 2018, quando ele exercia o cargo de deputado federal.

Em uma das gravações, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle afirma que o presidente, então deputado federal, demitiu seu irmão, André Siqueira Valle, do gabinete em outubro de 2007 por não devolver o valor combinado, gerando problemas de caixa para Bolsonaro.

E o Queiroz?

Na apuração da jornalista Juliana Dal Piva, do Uol e que foi ameaçada pelo advogado Frederick Wassef (representante legal do presidente), a denúncia é dividida em três reportagens.

Jair Bolsonaro não apenas integrava o esquema como também cobrava a devolução dos salários dos assessores do seu gabinete.

Na segunda denúncia, os áudios que apontaram diálogos entre a esposa e a filha de Fabrício Queiroz, que já é investigado na apuração da rachadinha, revelaram que o presidente não deixaria Queiroz voltar ao cargo de assessor do gabinete do senador Flávio Bolsonaro.

Mas Fabrício não era o único que recolhia os salários de assessores. Na terceira parte da reportagem de Juliana Dal Piva, ela explica que outras pessoas também foram designadas para a tarefa, como Guilherme dos Santos Husdon, coronel da reserva do Exército e apontado pela ex-cunhada de Bolsonaro como responsável por cobrar parte do recebimento.

O Palácio do Planalto afirma que ainda não teve acesso à íntegra das gravações divulgadas pelo Uol, apenas a “trechos fora de contexto, sem mais informações sobre data e hora”, o que impede a manifestação de seus membros sobre o assunto.

Em nota, o governo afirma que a construção da narrativa, “por meio de trechos sem contextualização cronológica parecem ter como intuito induzir o leitor/espectador a conclusões precipitadas por carecer de contexto”.

*Leandro Massoni é Jornalista, locutor e redator publicitário.