Gleisi confirma revisão da reforma trabalhista no programa de Lula: "Aberração"

Gleisi confirmou que a "revisão da reforma trabalhista é um dos compromissos do PT para o plano", mesmo com críticas de defensores do neoliberalismo, que já ligaram o modo pânico na mídia

Gleisi Hoffmann (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
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Presidenta nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) confirmou que uma revisão da reforma trabalhista estará no programa de Lula na disputa presidencial de 2022.

"A gente sempre foi crítico da reforma, votamos contra, fizemos todos os movimentos que poderíamos para resistir, porque sabíamos que aquilo estava sendo construído para precarizar as relações de trabalho. Não ia gerar emprego necessariamente e ia dificultar a vida do povo. Por exemplo, trabalho intermitente. É uma aberração que a pessoa não tenha assegurado sequer o direito ao salário mínimo, nem outros direitos trabalhistas. Isso por acaso resultou em empregar mais gente? Não. Nós continuamos com um número grande de desempregados. Temos hoje cerca de 40% do total de ocupados que não contribuem com o sistema de previdência por conta disso. Um contingente grande da população economicamente ativa desempregado, quase 49%", disse em entrevista Chico Alves, no portal Uol.

Citando o que foi feito por Pedro Sanchez na Espanha, elogiado por Lula, que reuniu representantes do governo, trabalhadores e empresários para mudar a legislação trabalhista, Gleisi lembrou o "Conselhão" do governo petista.

"Por aqui, obviamente que isso vai constar de um compromisso do presidente, vai constar de um plano, mas não tem assim uma coisa organizada ainda. O movimento sindical vai se reunir para fazer a avaliação crítica, com certeza vai pedir uma reunião com o Lula. Dentro do PT a gente tem isso muito claro, o PT sempre se colocou contra a reforma trabalhista. No partido, isso já está mais do que encaminhado e discutido", disse.

Gleisi confirmou que a "revisão da reforma trabalhista é um dos compromissos do PT para o plano", mesmo com críticas de defensores do neoliberalismo, que já ligaram o modo pânico na mídia.

"Tem temas e assuntos que não se pode esconder. É preciso fazer um contrato com a sociedade, com o eleitor, senão depois você entra e não consegue fazer. Não dá para levar na enganação. As pessoas sabem a nossa posição. Isso não quer dizer que a gente vai ficar fechado a negociar uma revisão. Não. Por isso que eu estou te dizendo: o que a Espanha está fazendo, que é fazer uma comissão tripartite, é um caminho muito bom".