QUEIMA DE ARQUIVO?

Computadores do Planalto são apagados

Mensagem recebida pela área de informática da Presidência da República orientou formatar todos os computadores para lidar com suposta ameaça detectada. Para especialista, se não houver explicação, o ato pode indicar má-fé.

Planalto.Bandeira do Brasil sobre a fachada do Palácio do Planalto.Créditos: José Cruz/Agência Brasil
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Os funcionários da área de informática do Palácio do Planalto estranharam a mensagem que dizia para chegarem mais cedo no dia 03 de novembro,  quinta-feira pós-segundo turno das eleições presidenciais, para formatar todos os computadores. A ação teria por objetivo "amenizar" a situação provocada por uma ameaça que teria sido detectada pelo sistema antivírus da rede da Presidência da República.

A mensagem orientava a formatar todas as máquinas e reinstalar o sistema operacional, como forma de combater o suposto malware detectado e ainda dizia que alguns arquivos haviam sido criptografados. De acordo com o aviso, outras áreas do Planalto já haviam sido avisadas do problema.

Queima de arquivo?

O que há de estranho nessa história é o fato de uma suposta ameaça mobilizar uma força-tarefa para formatar as máquinas do Palácio do Planalto, onque implica em apagar os arquivos dos computadores, poucos dias após a derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais.

Conforme informações do portal Metrópoles,  a Secretaria de Comunicação afirmou que aguarda informações da área técnica e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) remeteu a questão à Secretaria-Geral da Presidência da República, que não respondeu à reportagem.

Apagão precisa ser explicado

Para Bruna Martins, pesquisadora visitante no Berlim Social Science Center, "a medida desperta alertas, especialmente pela sua aplicação no exato momento do início dos trabalhos do governo de transição". Ela explica que a justificativa de "ameaça cibernética ou malware" pode ser pertinente, mas "a principal preocupação aqui é com a preservação de informações de interesse público e necessárias para o monitoramento e implementação de políticas publicas e que, acima de tudo, devem ser preservadas". 

Martins, que é também ativista da Coalizão Direitos na Rede, avalia que  "a gestão Bolsonaro marcou um período preocupante na história recente do país,  onde políticas de transparência e acesso a informação não foram priorizadas, o governo tornou o acesso a dados deliberadamente mais complicado e suas insitutições menos transparentes". Para a especialista, a sociedade civil e o gabinete de transição devem exigir da Presidência da República garantias que as informações contidas nas máquinas formatadas foram preservadas, bem como uma explicação sobre a real motivação do pedido, com fundamentação na política de segurança da informação da Presidência da República.

"A ausência de apresentação dessas garantias poderá acabar indicando que a atual gestão está agindo de má-fé e pode, inclusive, ter feito o ato para dificultar a transição de governo ou para apagar evidências ou provas da má gestão de Bolsonaro", conclui Bruna Martins.