Contarato pede investigação contra Adrilles e quer ampliar punição à propaganda nazista

O senador apresentou PL com o objetivo de criminalizar condutas associadas à promoção do nazismo e do fascismo, com reclusão de dois a cinco anos e multa

Fabiano Cantarato (Foto: Assessoria Fabiano Contarato/Divulgação)
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O senador Fabiano Contarato (PT-ES) usou as redes sociais, nesta terça-feira (9), para anunciar que ingressou com representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para pedir investigação contra o apresentador Adrilles Jorge, que praticou um gesto associado ao nazismo, durante um programa veiculado pela TV Jovem Pan.

Além disso, Contarato apresentou projeto de lei (PL 175/2022), com o objetivo de criminalizar condutas associadas à promoção do nazismo e do fascismo, com reclusão de dois a cinco anos e multa.

https://twitter.com/ContaratoSenado/status/1491462372900446219

Em relação a Adrilles, ele disse: “Antes da conclusão do programa, o apresentador ergueu a mão direita em manifestação idêntica àquela realizada por nazistas ao saudar Hitler, ditador alemão durante a Segunda Guerra Mundial e responsável pela condução do Holocausto que vitimou mais de seis milhões de pessoas, a maioria judeus. Não podemos permitir que esse genocídio contra a humanidade seja promovido no Brasil", afirmou Contarato.

O senador alertou que, com o fortalecimento de partidos nazistas na Europa nos últimos anos, aumenta o risco de acontecer o mesmo no Brasil.

O projeto de Contarato reafirmou esse perigo e lembrou que, na década de 1930, o Partido Nazista do Brasil foi o maior do mundo fora da Alemanha, arregimentando quase três mil membros.

Durante os dez anos em que operou no país, o partido e seus integrantes disseminavam ideais totalitários e antissemitas, coletando apoio material e financeiro para a Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

Projeto visa ampliar o escopo da criminalização da apologia ao nazismo

“Nosso projeto de lei pretende ampliar o escopo da criminalização da apologia ao nazismo que, hoje, se restringe à fabricação, comercialização, distribuição e veiculação de símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propagandas que utilizam a cruz suástica ou gamada. Buscamos, assim, ampliar o espectro de condutas relacionadas à promoção do nazismo - e do fascismo, que achamos por bem incluir no texto legal - e fazer referência à negação do Holocausto como parte do tipo penal previsto”, apontou o senador.

Jair Bolsonaro e filho se calam sobre gestos de Monark e Adrilles

Jair Bolsonaro (PL) e os filhos, conhecidos pela comoção seletiva e falta de posicionamento em diversos episódios graves, se calaram sobre a apologia ao nazismo feita por Bruno Aiub, o Monark, e Adrilles Jorge, ex-comentarista da Jovem Pan – ele foi demitido nesta quarta-feira (9).

A primeira manifestação formal feita pelo governo foi através do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, de Damares Alves. Além de ter emitido uma nota, a ministra tuitou: “Minha solidariedade ao povo israelense e à comunidade judaica. O holocausto não foi brincadeira, jamais devemos esquecer as barbaridades promovidas pelos nazistas”.

Já na nota, a pasta informou que “acompanhará os desdobramentos do caso, com a expectativa de que os fatos sejam apurados e elucidados a fim de que o sofrimento causado pelo regime nazista entre os anos de 1933 e 1945, que perseguiu e assassinou mais de 6 milhões de judeus europeus, não encontre guarida em território nacional”.