ELEIÇÕES 2022

Barroso: Forças Armadas "estão sendo orientadas" a atacar processo eleitoral

Ministro não menciona quem orientou as Forças Armadas contra o processo eleitoral. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro já questionou, sem qualquer prova, a segurança das urnas eletrônicas, além de apontar risco de fraude nas eleições. 

Luís Roberto BarrosoCréditos: Reprodução / Divulgação redes sociais
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O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (24) que as Forças Armadas "estão sendo orientadas para atacar o processo" eleitoral brasileiro e "tentar desacreditá-lo". A declaração foi dada em um seminário por videoconferência  sobre o Brasil promovido pela universidade Hertie School, de Berlim, na Alemanha.
Barroso não mencionou quem estaria orientando as Forças Armadas contra o processo eleitoral. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) já questionou, sem qualquer prova, a segurança das urnas eletrônicas, além de apontar risco de fraude nas eleições. Bolsonaro também incentivou militares a questionarem urnas eletrônicas.

De acordo com o ministro, os "ataques" ao processo eleitoral são "totalmente infundados e fraudulentos".
"Desde 1996 não tem um episódio de fraude no Brasil. Eleições totalmente limpas, seguras e auditáveis. E agora se vai pretender usar as Forças Armadas para atacar? Gentilmente convidadas a participar do processo, estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo?", questionou Barroso.

Segundo o ministro, ocorreram recentemente "repetidos movimentos para jogar as Forças Armadas no varejo da política". Contudo, ele ponderou que, até o momento, "o profissionalismo e respeito à Constituição" têm prevalecido.
Barroso elencou uma série de episódios de ameaças inconstitucionais, como a participação do presidente Jair Bolsonaro em um protesto que ocorreu em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, quando os participantes pediram o fechamento do Congresso e do STF.  Lembrou do desfile de veículos militares na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no mesmo dia em que o Congresso votou - e rejeitou - uma proposta que instituía o voto impresso no país, apoiada por Bolsonaro e aliados dele.

"Todos nós assistimos repetidos movimentos para jogar as Forças Armadas no varejo da política. Isso seria uma tragédia para a democracia e para as Forças Armadas, que levaram três décadas para se recuperar do desprestígio do regime militar e se tornarem instituições respeitadas", disse.

"Tenho uma expectativa de que elas (forças armadas) não se deixem seduzir por esse esforço que eu vejo de jogá-las nesse universo, a fogueira das paixões políticas. Até agora, o profissionalismo e respeito à Constituição têm ocorrido, mas não deve passar despercebido que militares admirados foram afastados: general Santos Cruz, Fernando Azevedo, os três comandantes das Forças", diz  o ministro.

Com informações do Portal G1