"TEM QUE MANTER ISSO AÍ, VIU"

Eduardo Cunha é absolvido pela Justiça no caso do “quadrilhão do MDB”

Escândalo se tornou conhecido a partir de conversa gravada entre Michel Temer e o empresário Joesley Batista marcada pela famosa declaração do “tem que manter isso aí, viu”

Eduardo Cunha é absolvido pela Justiça no caso do “quadrilhão do MDB”.Créditos: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha foi absolvido da acusação de tentar obstruir investigações do Ministério Público Federal no chamado caso do "quadrilhão do MDB". 

As investigações se deram a partir da gravação de uma conversa telefônica entre o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o empresário Joesley Batista. A conversa se tornou icônica por conta da frase "tem que manter isso, viu". 

A conversa foi gravada pelo próprio empresário Joesley Batista, que é um dos donos da JBS. Na conversa entre o Batista e Temer, o empresário afiram que mantinha boa relação com o Eduardo Cunha, no que o ex-presidente responde: "Tem que manter isso aí, viu". 

Dessa maneira, à época levantou-se a suspeita de que o silêncio de Eduardo Cunha era comprado pelo empresário. 

O ex-deputado, representado por advogados, entrou com pedido de extensão da absolvição concedida a Temer ocorrida em 2019. A absolvição teve relatoria do desembargador Ney Bello e foi chancelada pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 

Cabe destacar que a acusação contra Eduardo Cunha constava em outro inquérito, que também investiga Joesley Batista. O Ministério Público Federal optou por fatiar a acusação. 

O desembargador Ney Bello declarou em sua decisão que os casos de Temer e Cunha são semelhantes e que "a mesma prova, que se mostrou frágil e insuficiente para determinar o prosseguimento da persecução penal contra Michel Temer também se aplica a Cunha para reconhecer a impossibilidade da continuidade das investigações". 

 

Condenado 

 

Em 2016, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) afastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara. No mesmo ano teve o seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. 

Posteriormente, Eduardo Cunha foi preso preventivamente pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato e, em março de 2017, condenado a 15 ano de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. 

Durante o auge da pandemia, em março de 2020, Cunha teve a prisão preventiva substituída pela prisão domiciliar.