VAZA JATO

Procurada por hacker, Manuela d'Ávila expõe Dallagnol, que confirmou diálogos da Vaza Jato: "Verdade veio à tona"

Ex-procurador tentou aproveitar o ataque hacker à conta de Janja na rede X para se promover e acabou, sem querer, confessando a autenticidade dos diálogos criminosos que manteve no âmbito da operação Lava Jato

Manuela d'Ávila e Deltan Dallagnol.Créditos: Fotos: Reprodução/Instagram/Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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A ex-deputada Manuela d'Ávila (PCdoB) decidiu expor Deltan Dallagnol, ex-deputado, que foi cassado, e ex-procurador do Ministério Público Federal (MPF), após o ataque hacker à conta na rede X (antigo Twitter) da primeira-dama Janja Lula da Silva

Na noite desta segunda-feira (11), logo após à invasão ao perfil da primeira-dama, Dallagnol tentou aproveitar o fato para se promover e, sem querer, acabou confirmando a autenticidade dos diálogos revelados pela série jornalística Vaza Jato, do The Intercept Brasil, que trouxe à tona articulações espúrias e ilegais entre o então juiz da Lava Jato, Sergio Moro, e o próprio Dallagnol contra réus e investigados, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Dallagnol sempre negou a autenticidade dessas mensagens, obtidas pelo The Intercept a partir de uma invasão feita por Walter Delgatti, que depois veio a ficar conhecido como "Hacker de Araraquara" e "Hacker da Vaza Jato". Ao comentar o ataque hacker à Janja, entretanto, o ex-procurador confirmou, inadvertidamente, que os diálogos são reais. 

"Agora que um hacker invadiu a conta da Janja aqui no X, estou esperando o The Intercept  dizer que isso é legítimo e divulgar os diálogos da Janja", disparou Dallagnol. 

Não demorou para que inúmeros usuários das redes sociais constatassem a o "sincericídio" de Dallagnol e o ex-procurador, inclusive, passou a atacar os usuários das redes sociais que fizeram tal constatação. 

Reprodução/Rede X

Manuela d'Ávila, por sua vez, decidiu comentar o fato pois ela foi a primeira pessoa a ser procurada pelo "Hacker de Araraquara", em 2019, após a obtenção das mensagens. A ex-deputada, então, sugeriu que o hacker procurasse o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, e assim foi iniciada a série jornalística Vaza Jato. 

Junto a um print que mostra a postagem de Dallagnol confirmando os diálogos da Vaza Jato, Manu escreveu: 

"Quando o episódio do hacker aconteceu, em 2019, eu entreguei meu celular para a Polícia Federal. Em pleno governo Bolsonaro e no auge do lava-jatismo. Assim, consegui provar tudo que dizia: que fui procurada pelo hacker, que ele queria me enviar todos os documentos, que sugeri a ele procurar Glenn, um jornalista com capacidade de dar a exata dimensão para os documentos. Naquela ocasião, o todo poderoso procurador dallagnol , Best friend do então Ministro da Justiça Sérgio Moro, não entregou o seu. Ele disse que as mensagens eram falsas"

"Mas a verdade veio à tona. Primeiro, pelas mãos da imprensa. Agora por ele próprio. É um bando de mentiroso, né?", prosseguiu a ex-deputada. 

Confira: 

Reprodução/Instagram Manuela D'Ávila

Vaza Jato: relembre 

A Vaza Jato marcou um ponto de inflexão nas discussões sobre a Operação Lava Jato. Iniciada em meados de 2019, a série jornalística revelou mensagens trocadas entre membros da força-tarefa, incluindo o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, lançando luz sobre  interferências e colaborações que colocavam em xeque a imparcialidade do processo judicial. Os diálogos revelam um conluio ilegal entre a acusação, no caso o Ministério Público, e o juiz para prejudicar réus e investigados. 

As revelações da Vaza Jato tiveram um papel crucial na origem da Operação Spoofing, da Polícia Federal. Os dados obtidos pelos hackers e confirmados pela operação alimentaram a série de reportagens do The Intercept Brasil. 

Um dos principais impactos dessas revelações foi no caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa de Lula utilizou as mensagens vazadas como argumento para questionar a imparcialidade do julgamento que o condenou no caso do tríplex do Guarujá. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações de Lula, alegando parcialidade de Sergio Moro em seu julgamento, o que resultou na recuperação de seus direitos políticos.

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