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Após fala machista, Costa Neto dá justificativa "fofa" para barrar candidatura de Michelle Bolsonaro

Michelle Bolsonaro se lançou candidata à vaga que deve ser aberta com a provável cassação de Sergio Moro em evento do PL Mulher em Curitiba. Presidente da sigla, no entanto, barrou com fala machista.

Valdemar da Costa Neto e Michelle Bolsonaro.Créditos: Divulgação/PL
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Conhecido como "Boy" em seu nicho eleitoral, Mogi das Cruzes, no interior paulista, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto deu uma justificativa "fofa" após fala machista em que barrou o desejo expresso de Michelle Bolsonaro, presidenta da ala feminina do partido, de disputar as eleições ao Senado no Paraná na vaga que deve ser aberta com a provável cassação de Sergio Moro (União-PR).

VÍDEO - Michelle "se lança" candidata ao Senado para a vaga de Moro: "Deus está me chamando"

A fala machista desautorizando a esposa de Jair Bolsonaro (PL) foi proferida por Costa Neto dois dias após a ex-primeira-dama se lançar candidata em evento do PL Mulher em Curitiba no dia 16 de dezembro, quando se empolvou ao ser chamada de "senadora".

“Creio que Deus está me chamando para algo novo no Brasil, e eu estou aqui”, disparou a esposa de Jair Bolsonaro, provocando gritos de "senadora" dos presentes. 

“Senadora de onde? Daqui? Deus vai dar sabedoria para vocês escolherem o melhor para o estado do Paraná. Uma pessoa que seja realmente elegante. Que possa ter elegância para trabalhar e para lutar por este estado tão maravilhoso", emendou Michelle. 

No entanto, Costa Neto o desejo foi barrado por Costa Neto, que afirmou à coluna de Andreia Sadi, da Globo, que "haveria tempo para transferir, mas ela não quer", sobre a possibilidade de transferência do domicílio eleitoral para entrar na disputa.

Em reunião realizada nesta semana, Costa Neto deu uma justificativa "fofa" para amenizar a declaração machista. Segundo informações de Bela Megale, no jornal O Globo, o "Boy" disse que não quer que Michelle concorra a vaga de Moro porque seria "pouco" para ela.

Já Bolsonaro defende que a esposa entre na disputa, até como forma de tirá-la definitivamente do párea na eleição presidencial de 2026. Assim como Costa Neto, o ex-presidente também não quer que Michelle seja candidata à Presidência.

Moro poupa Michelle

Isolado diante das sinalizações de que teria votado a favor da indicação de Flávio Dino como o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e cada vez mais perto da cassação, o senador Sergio Moro (UB-PR) dispara para todos os lados, mas tem procurado poupar críticas à família Bolsonaro. 

Ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, o parlamentar, desde o abraço caloroso em Flávio Dino e os sinais de que apoiou a indicação do comunista para a Corte, vem sendo tachado de traidor pelo ex-presidente, seus filhos e até mesmo Michelle Bolsonaro. 

No dia 15, por exemplo, a ex-primeira-dama publicou uma sequência de stories no Instagram atacando Moro. Em um deles, publicou a foto em que Moro aparece abraçando Dino e a imagem que mostra a troca de mensagens com um assessor o orientando a não divulgar voto em favor do ministro. 

"Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido", escreveu Michelle. 

Moro, por sua vez,  foi às redes na tentativa de rebater os ataques que está recebendo - sem negar que apoiou Dino - e culpou o governo Lula e o "PL do Paraná", deixando de mencionar qualquer crítica do clã Bolsonaro. 

"Não me surpreende o intenso ataque daqueles que almejam assumir a posição que conquistei de maneira legítima nas urnas, com o respaldo do povo paranaense. Aos meus eleitores e apoiadores, esclareço: não divulgar o voto na indicação de autoridades é uma prerrogativa do parlamentar. O vigoroso embate que tenho enfrentado do atual governo Lula, de parte do próprio PL paranaense, aliado às ameaças do PCC, me levam a agir, neste momento, com prudência e no pleno exercício de uma prerrogativa que possuo, tudo isso visando preservar minha independência", escreveu o ex-juiz. 

Cabe lembrar que a crítica de Michelle Bolsonaro a Moro vem justamente no momento em que o ex-juiz corre o risco de ser cassado e com o nome da ex-primeira-dama entre os cotados para concorrer à vaga do ex-juiz no Senado através da eleição suplementar que será convocada caso o senador, de fato, perca o mandato.