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Bolsonarista morre após atear fogo ao próprio corpo em protesto contra Moraes

Ato extremo, chamado tecnicamente de autoimolação, ocorreu em frente à Catedral Metropolitana de Brasília. Vítima tinha cartazes com dizeres e clichês contra o ministro

Créditos: Catedral de Brasília/Reprodução
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Um seguidor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 58 anos, morador da cidade de Botucatu, no interior de São Paulo, morreu após atear fogo ao próprio corpo em protesto contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ato extremo, chamado tecnicamente de autoimolação, ocorreu na última terça-feira (31), em Brasília, na frente da Catedral Metropolitana. O bolsonarista seguia internado em estado gravíssimo no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), na capital federal, mas não resistiu.

De acordo com testemunhas e com informações da Polícia Civil, que constam no boletim de ocorrência sobre o episódio, a vítima carregava cartazes que estabeleciam uma analogia entre Moraes e o ditador genocida alemão Adolf Hitler, ícone máximo e líder do nazismo, além de outros papéis com fotos do líder sul-africano Nelson Mandela e do oficial alemão Claus Schenk Graf von Stauffenberg, que tentou assassinar Hitler num atentado, em 1944. Junto a esses personagens, nos cartazes, vinha a frase “perdeu, mané!”, que ficou conhecida após ser proferida pelo ministro Luís Roberto Barroso, também do STF, direcionada a bolsonaristas que reclamavam do resultado da eleição, durante uma passagem dos magistrados da Suprema Corte pelos EUA.

Pessoas que presenciaram o ato dizem que o homem, que não teve a identidade revelada, gritava coisas como “Morte ao Xandão” e anunciava que sacrificaria a própria vida para “denunciar” o que o STF vinha fazendo com o Brasil. A autoimolação é uma prática vista por especialistas da psicologia e da psiquiatria como extrema e normalmente praticada por pessoas com sérios problemas em relação à sua saúde mental, embora a atitude sejam "comum" em culturas como a hindu e a budista, onde para alguns segmentos dessas religiões é vista como uma forma de "renúncia extrema" ou "protesto" diante de uma causa.

O ódio patológico, desmedido e sem qualquer justificativa plausível contra Alexandre de Moraes e a Corte que ele compõe é uma das principais bandeiras do bolsonarismo, que elegeu alguns desses juízes e o STF como “inimigos” da vez, incentivando as hostes mais radicalizadas e alienadas do movimento político de extrema direita a atacá-los, ainda que essas pessoas sequer compreendam a função do Judiciário.