Responsável por articular o bloco governista no legislativo mineiro, Igor Eto, secretário de Governo de Romeu Zema, é acusado de chantagear coronel da Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG) para obter votos na disputa para a presidência da Assembleia Legislativa do estado (ALMG). Em áudio veiculado em um grupo de oficiais do Alto Comando, o coronel Marco Aurélio Zancanela afirma que Eto teria o "desconvidado" a assumir a chefia do Estado-Maior após ter negado pressionar o deputado Cristiano Caporezzo (PL) a votar em Roberto Andrade (Patriota), então candidato governista na eleição para Mesa Diretora da Assembleia.
Como retaliação à declaração de voto de Caporezzo no atual presidente da ALMG e à época candidato, Tadeu Leite (MDB), o nome de Zancanela, foi substituído apenas três dias depois de ter sido anunciado em janeiro pela nomeação de outro coronel, Marcelo Ramos de Oliveira, para a chefia do Estado-Maior. A possível motivação política na indicação de Ramos rompe com o critério da antiguidade que tradicionalmente orienta a indicação para o cargo, o que não é bem visto pelo oficialato.
Mesmo o nome de Zancanela tendo sido sugerido por Caporezzo ao governo, o deputado do PL nega que a indicação do coronel tenha sido ensaiada em troca de favores políticos e critica o silêncio de Zema em relação ao caso. Em entrevista concedida no dia 26 de janeiro, Caporezzo disse que solicitará a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a conduta do secretário ao usar a PM-MG para barganhar votos. Deputados ligados à categoria policial também pressionam para que Igor Eto seja investigado pela Comissão de Segurança da ALMG.
Eleição para presidência da ALMG
A disputa para presidência da ALMG impôs uma relativa derrota ao governador Romeu Zema no início de seu segundo mandato. Atualmente dividida em três blocos, a Casa conta com dois blocos governistas — um ligado ao governo e outro “independente”, porém colaborativo — e um bloco de oposição. A divisão da base aliada do governo, que é defendida pelo líder do governo na casa, Gustavo Valadares (PMN), demonstrou ser uma dificultadora para as articulações de Igor Eto, que pretendia a criação de um único bloco de aliados em torno do nome de Roberto Andrade (Patriota), visando garantir a presença do governo nas comissões permanentes e facilitar a tramitação de projetos na Assembleia.
Contudo, após perder o apoio do PL, o nome do Andrade não emplacou. Antes de apoiá-lo, Zema chegou a apostar em outros quatro candidatos e a costurar uma aliança com o PSD pelo intermédio de Alexandre Silveira (PSD), atualmente ministro de Lula e presidente do partido em Minas. O PSD tem a segunda maior bancada desta legislatura.
Com a vitória de Tadeu Martins (MDB) para presidência da Mesa Diretora, que comandará pelos próximos dois anos os trabalhos na Assembleia, as pretensões do governo de Zema devem encontrar dificuldades para compor maioria — ainda que encontre boa vontade do bloco de “independentes” dispostos a cobrarem pelo apoio político.