PERIGO

Vereadora cassada por denunciar nazistas em SC é novamente ameaçada de morte

Maria Tereza Capra (PT) recebeu mensagem ameaçadora: “Seu fim tem que ser igual uma cadela que se chamava Mariele”

Maria Tereza recorreu contra cassação do seu mandato.Créditos: Reprodução/Facebook
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Cassada injustamente pela Câmara Municipal de São Miguel do Oeste (SC), por denunciar atos nazistas protagonizados por bolsonaristas, a vereadora Maria Tereza Capra (PT) foi novamente ameaçada de morte.

Ela recebeu, nesta quarta-feira (1), mensagem no Instagram com ameaças e ofensas. O criminoso afirmou: “Seu fim tem que ser igual uma cadela que se chamava Mariele, que as cadelas me desculpem por ofendê-las kkkkkkkkk”. A veradora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada em 2018.

“Hoje, recebi mais uma ameaça de morte. Pelo Instagram, esse sujeito bolsonarista, evangélico, que odeia a esquerda e as mulheres não poderia ter sido mais claro: para ele, meu fim será o mesmo de Marielle. Este não é só mais um doido da internet, um antipetista, ou alguém que está defendendo a honra da minha cidade. É um cara violento, que pratica ameaças e violência política, prega o ódio à esquerda e comemora a polícia que mata. Já comuniquei à DPF e o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A Polícia Federal e a Polícia Civil já que estão investigando outros crimes praticados contra mim. Não vão me calar!”, postou Maria Tereza.

Não é a primeira vez que ela é ameaçada. No início de fevereiro, em um e-mail enviado à vereadora Ana Lúcia Martins (PT), de Joinville (SC), que manifestou apoio à colega, um neonazista usou o mesmo termo utilizado por Jair Bolsonaro (PL) contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS) para ameaçar Maria Tereza.

“Cassar seu mandato é só o primeiro passo. Vou cassar sua vida depois, [xingamentos]. Você é tão feia que nem merece ser estuprada, tem que morrer de pancada você e sua família de merda”, dizia o texto.

Maria Tereza recorreu à Justiça contra cassação

A decisão arbitrária dos vereadores de São Miguel do Oeste foi motivada pelo fato de Maria Tereza ter denunciado um grupo de bolsonaristas que protagonizou ato de saudação nazista à bandeira brasileira, em frente ao Quartel da guarnição do Exército, em São Miguel do Oeste.

Segundo a alegação da acusação, a parlamentar teria propagado notícias falsas e atribuído aos cidadãos de São Miguel do Oeste o crime de saudar o nazismo e de ser berço de uma célula neonazista.

A defesa da vereadora revelou as ameaças recebidas por ela desde novembro, com destaque para suas redes sociais.

À época, o advogado de defesa, Sérgio Graziano, ressaltou que o processo era de perseguição política. “Não há qualquer fato jurídico, político ou social que justifique a cassação. Em 31 anos do exercício da advocacia nunca vi tamanha injustiça”.

Maria Tereza está recorrendo à Justiça contra a cassação, já tendo protocolado ação na 1ª Vara Cível da Comarca do município. Ela pede a anulação do decreto legislativo que determinou sua cassação, no dia 3 de fevereiro. No documento, afirma que sofreu “perseguição política” por ser a única vereadora do PT.