ATOS GOLPISTAS

Chico Vigilante quer mais informações sobre depoimento de Anderson Torres ao TSE

Presidente da CPI dos Atos Antidemocráticos no Legislativo do DF quer acesso à explicações do ex-ministro de Bolsonaro sobre rascunho de documento para um golpe no Brasil

Créditos: Ascom Chico Vigilante
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O deputado distrital Chico Vigilante (PT) pediu uma audiência com o corregedor-geral eleitoral, ministro Benedito Domingos. O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) quer saber detalhes sobre o processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro que pode torná-lo inelegível. Ainda não há data para a reunião.

No último dia 16 de março, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal Anderson Torres prestou depoimento à Corte Eleitoral. Na ocasião ele foi questionado sobre a minuta de um golpe de Estado encontrada pela Polícia Federal (PF) em sua casa. Esse documento propunha a implantação de um estado de defesa para mudar o resultado das eleições que deram vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

A minuta faz parte da ação que investiga Bolsonaro por abuso de poder na reunião com embaixadores em julho do ano passado. À época, o então presidente atacou, sem provas, a integridade do sistema eleitoral brasileiro. 

Torres cada vez mais enrolado

À CPI dos Atos Antidemocráticos, Torres se nega a ir. O colegiado já fez várias tentativas para ouvir o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, sem sucesso. No mesmo dia em que esteve no TSE, ele avisou ao colegiado que não iria mais depor.

O depoimento do ex-secretário estava marcado para o dia 23 de março. A reunião com os parlamentares iria acontecer de forma fechada, sem presença da imprensa ou transmissão pela internet.

Preso desde 14 de janeiro, Torres é investigado por suspeita de omissão durante os atos golpistas cometidos por bolsonaristas radicais em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. Ele nega as acusações.

Falando ou não à CPI no DF, a situação dele, preso desde o dia 14 de janeiro, está cada vez mais complicada. A PF investiga uma viagem dele à Bahia, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Há suspeita de que o ministro de Bolsonaro tenha viajado para pressionar a PF a barrar eleitores na região onde Lula, candidato do PT, tinha mais votos. 

Dados do STF

No dia 29, os deputados distritais que integram a CPI receberam autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para compartilhar informações referentes ao inquérito que investiga os atos golpistas de 12 de dezembro e 8 de janeiro no âmbito da Corte com a CPI – com exceção dos que tenham caráter estritamente sigiloso.