ATOS GOLPISTAS

General Heleno na CPI: ex-ministro terá que explicar envolvimento no golpe de 8 de janeiro

Comissão do Legislativo do Distrito Federal aprovou convocação para que o ex-titular do Gabinete de Segurança Institucional de Jair Bolsonaro preste esclarecimentos sobre o papel de agentes sob o seu comando na tentativa de golpe

Créditos: Wikimedia Commons - General Augusto Heleno, ex-ministro do GSI de Jair Bolsonaro
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O general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo de Jair Bolsonaro, foi convocado a explicar o seu envolvimento na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, instalada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), aprovou nesta terça-feira (4) o convite para que o militar reformado seja ouvido pelo colegiado no dia 4 de maio.

O envolvimento do GSI de Augusto Heleno na organização de atos golpistas foi denunciado no dia 13 de dezembro com exclusividade pela Revista Fórum. Na reportagem do jornalista Henrique Rodrigues, um servidor da Polícia Federal (PF) lotado na Presidência da República, sob a condição de anonimato, acusou a pasta de estar por trás dos atos vandalismo de 12 de dezembro na capital federal.

Naquela data, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva era diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e inúmeros bolsonaristas espalharam violência, chamas e pânico por meio de uma ação coordenada que envolveu uma tentativa de invasão da sede da PF, bloqueio de vias expressas, queima de carros e ônibus e intimidações a cidadãos que estavam em locais públicos.

Na ocasião, a justificativa dos bolsonaristas para os atos de violência e vandalismo perpetrados em Brasília seria em resposta à prisão do indígena José Acácio Sererê Xavante, sob suspeita dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do estado democrático de Direito. A noite de 12 de dezembro foi uma prévia do terror do dia 8 de janeiro.

O GSI respondeu à matéria da Fórum no dia 14 de dezembro com nota intimidatória, na qual classificou “as acusações publicadas não têm qualquer ligação com a verdade e foram plantadas por uma ‘fonte’ desqualificada e mentirosa”. A resposta foi até postada pelo general Heleno no seu perfil no Twitter.

Agora, Heleno terá a oportunidade de prestar contas também sobre o envolvimento de agentes chefiados por ele no acampamento golpista na porta do QG do Exército em Brasília. Essa presença, inclusive, foi monitorada pelo Serviço de Contrainteligência da PF, setor que atua na prevenção, identificação e neutralização de ações promovidas por grupos ou organizações que ameacem a segurança do Estado e da sociedade brasileira.

A digital do ex-chefe do GSI está impressa nas tentativas de golpe de Estado para evitar a posse do presidente Lula e que culminaram com a invasão da sede dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

"Hoje não tem nenhuma dúvida de que houve participação de integrantes do GSI nesse ato golpista de 8 de janeiro que aconteceu aqui em Brasília", comentou à Fórum, o presidente da CPI dos Atos Antidemocráticos, Chico Vigilante (PT).

O distrital afirmou ainda que o colegiado quer saber qual foi a participação do general Augusto Heleno nos atos golpistas e se houve atuação conjunta com Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do DF e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro que está preso por envolvimento nos atos desde 14 de janeiro em Brasília.  

No rastros dos financiadores

CLDF - Reunião da CPI dos Atos Antidemocráticos aprovou convocações e convites

Durante a reunião desta terça-feira, a CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa aprovou o cronograma de oitivas de abril e maio e estabeleceu a convocação de apenas um depoente por dia. 

Os próximos a depor, nos dias 13 e 19 de abril serão, respectivamente, os empresários Adauto Mesquita e Joveci Xavier de Andrade, acusados de financiarem os atos. 

Na sessão, Chico Vigilante ressaltou a relevância das próximas oitivas.

“São empresários do ramo do comércio financiadores dos atos antidemocráticos. Nós temos provas do financiamento. Fui eu que propus que nós convocássemos eles e eles terão de vir explicar”, comentou Vigilante.

Para o distrital, “houve um golpe”, “no mesmo modus operandi” do que ocorreu na Bolívia e no Capitólio, nos Estados Unidos, e que foi planejado com envolvimento do alto comando da PMDF. “Estamos todos imbuídos de um único objetivo: a sustentação da democracia e apurar esses fatos para que nunca mais eles se repitam no DF e no Brasil”.

Agenda dos próximos depoimentos 

Durante a reunião da CPI dos Atos Antidemocráticos desta terça-feira foram aprovadas as seguintes convocações (para civis e militares da reserva) e convites (para militares da ativa ):

13 de abril - Adauto Lúcio Mesquita, doador da campanha eleitoral de Bolsonaro e investigado como um dos financiadores do acampamento golpista em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília (DF).

19 de abril - Joveci Andrade, sócio de Mesquita e também investigado como um dos financiadores do acampamento golpista.

27 de abril - Coronel da PMDF Cíntia Queiroz de Castro, atual subsecretária de Operações da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) e responsável por elaborar o Protocolo de Ações Integradas da pasta em 8 de janeiro

4 de maio – General Augusto Heleno, ex-ministro da GSI

11 de maio – Coronel da PMDF Fábio Augusto Vieira, o ex-comandante da corporação

18 de maio – General Gustavo Henrique Dutra de Menezes, ex-comandante Militar do Planalto, responsável pelo QG do Exército em Brasília25 de maio – José Acácio Sererê Xavante, líder indígena que se apresenta como cacique do Povo Xavante, apoiador de Bolsonaro e cuja prisão sob suspeita dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do estado democrático de direito motivou os protestos em Brasília na noite de 12 de dezembro.

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*Matéria corrigida às 16h57 para atualizar a condição do General Augusto Heleno como convocado e não convidado como havia sido informado anteriormente.