CARLA ZAMBELLI

Advogada de Carla Zambelli deixa defesa por "inviabilidade financeira" da cliente

O escritório de Karina Kufa, que também defende Bolsonaro, atuava em mais de 40 processos movidos contra a parlamentar

Carla Zambelli.Créditos: Redes sociais/Reprodução
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A advogada Karina Kufa, que também defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em parte de seus processos, deixou a defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A explicação dada foi curta e grossa: a "inviabilidade financeira" da cliente frente à quantidade de demandas, que teria aumentado muito desde que seu escritório assumiu a defesa.

O escritório de Kufa atuava em mais de 40 processos movidos contra a parlamentar, além de uma parcela menor de cerca de 20 ações iniciadas pela deputada, abrangendo as áreas cível, eleitoral e penal.

Zambelli, por sua vez, afirmou à Folha através de sua assessoria que ainda não definiu quem será o advogado que irá representá-la e que está em contato com alguns nomes.

A deputada sofre processos de tudo que é jeito e para todos os gostos. Só no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), há ao menos quatro Aijes (ação de investigação judicial eleitoral) que têm Zambelli como um dos alvos. Por conta destas ações, a deputada poderá ser cassada e ter, assim como Bolsonaro, sua inelegibilidade por oito anos, a contar das eleições de 2022.

Ameaça com arma

Já no conhecido processo em que a deputada perseguiu um homem com a arma em punho, na véspera do segundo turno, que defende Zambelli é o advogado Daniel Leon Bialski. Ela afirma que agiu na ocasião em legítima defesa e que foi vítima de um agressor.

Zambelli também é alvo de representações sobre propaganda eleitoral irregular, tendo sido alvo de condenação em pelo menos duas delas durante o mês de maio.

Em um dos casos, ela foi multada em R$ 10 mil junto com os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Mara Gabrilli (PSD-SP) pela divulgação de desinformação que associou Lula à morte de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP) assassinado em 2002.

Ela afirmou na época que há cerceamento ao "livre debate de ideias" e que não se pode aceitar que "somente as versões das autoridades sejam permitidas de serem propagadas".

Conteúdo falso

Em outra ação já decidida, o entendimento da corte também foi de que houve compartilhamento de conteúdo falso contra o petista por divulgação de um vídeo em que Lula é acusado de incentivar o uso de drogas por crianças e adolescentes e a frase "faz o L" é associada à criminalidade e censura nas redes. Além de Zambelli e Flávio, foram condenados também os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Zambelli teve suas redes sociais suspensas pelo TSE na semana seguinte ao segundo turno.

Alexandre de Moraes desbloqueou os perfis em fevereiro, mas manteve multa de R$ 20 mil em caso de publicações "instigadoras ou incentivadoras de golpe militar, atentatórias à Justiça Eleitoral e ao Estado democrático".

Zambelli fez postagens de incentivo a atos de cunho golpista após as eleições, como aos bloqueios em rodovias que se espalharam pelo país após a vitória de Lula nas urnas.

Moraes determinou, em junho, encaminhamento dos autos do processo de bloqueio das redes de Zambelli do TSE ao STF, argumentando que havia pertinência temática com os inquéritos que correm na corte.

Com informações da Folha