MARIELLE

Filho de Suel, acusado de envolvimento no caso Marielle, é preso por esquema com Ronnie Lessa

Prática ilegal foi apontada como principal financiadora do Escritório do Crime em delação de Élcio de Queiroz

Suel (dir) e seu filho, Maxwell Simões Corrêa JúniorCréditos: Reprodução
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Maxwell Simões Corrêa Júnior, filho de Maxwell Simões Corrêa, o Suel, foi preso nesta terça-feira (8) por acusação de estar envolvido com uma operação de gatonet com seu pai e com Ronnie Lessa, ambos apontados como executores do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.

Segundo depoimento de Élcio de Queiroz, que fez acordo de delação premiada, o esquema de gatonet de Suel era um dos principais financiadores das operações do Escritório do Crime. Suel e Ronnie Lessa eram os sócios principais e Maxwell Júnior também atuava em apoio no esquema, segundo as investigações.

"O Ronnie tem sociedade com o Suel nessas antenas da gatonet. Todo asfalto ali que não é comunidade [de Jorge Turco], é do Suel. Ronnie entrou depois que o cara tentou tomar dele e tal... então o Ronnie entrou de sociedade, tipo uma dívida de gratidão", diz a delação de Élcio Queiroz.

De acordo com investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro, Maxwell Júnior era um dos líderes do esquema.

"O filho do 'dono' da 'GatoNet' se fazia presente nos bairros de domínio da organização criminosa e intermediava o contato de Suel com os subordinados, seja para repassar ordens, seja para centralizar o recebimento do dinheiro recolhido dos 'clientes'", diz um trecho do documento, que foi aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio.

A defesa de Maxwell Júnior afirma que não existem provas contra ele. "Ele foi preso única e exclusivamente por ser filho do Suel, que está sendo investigado pela morte da Marielle, porque indícios, fatos e provas não têm", disse o advogado do acusado, Felipe Souza. "A polícia não se deu nem ao trabalho de investigar nem suas contas, ver a sua conta bancária, se ele se favorecia do serviço de gatonet", completou.

O policial militar Sandro Franco, também envolvido no assassinato de Marielle de acordo com as investigações, é o único foragido do caso Marielle.