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EXCLUSIVO: Militares suspeitos de vazar dados para Mauro Cid serviram Lula em 28 viagens

Nas viagens sob Bolsonaro e Lula, os três militares acumularam R$ 162.619,49 em diárias

Comandante do Exército, general Tomás Paiva, presidente Lula e o ministro da Defesa, José Múcio..Créditos: Agência Brasil
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Os três militares suspeitos de terem vazado informações confidenciais sobre viagens do presidente Lula ao ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, fizeram parte da preparação de 28 viagens do petista desde janeiro de 2023.

Os dados constam do Portal da Transparência.

As mensagens foram enviadas a Mauro Cid quando ele estava nos Estados Unidos acompanhando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que jamais reconheceu sua derrota eleitoral para Lula. Os e-mails continham detalhes das viagens de Lula a Pequim e Xangai, na China; a Foz do Iguaçu e Boa Vista, no Brasil, além de informações sobre três eventos realizados em Brasília com a presença do presidente.

O envio das mensagens aconteceu entre 6 e 13 de março de 2023. A Polícia Federal encontrou as mensagens na lixeira das caixas de correio dos militares, de acordo com a GloboNews.

Os três militares assumiram seus postos no Departamento de Coordenação de Eventos, Viagens e Cerimonial Militar, subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, quando o ministro deste era o general Augusto Heleno.

Márcio Alex da Silva, militar do Exército, assumiu o posto em 12 de janeiro de 2021 e teve sua permanência no cargo renovada em 8 de março deste ano, quando o GSI de Lula era comandado pelo general Gonçalves Dias.

Dados sobre o militar do Exército Márcio Alex da Silva

Dionne Jeferson Freire, militar da Marinha, teve seu vínculo com o departamento iniciado em 20 de dezembro de 2019 e renovado em 16 de junho de 2023, já sob o substituto de Gonçalves Dias, o general da reserva Marcos Antônio Amaro dos Santos.

Dados sobre o militar da Marinha Dionne Jeferson Freire

Rogério Dias Souza, também da Marinha, assumiu o cargo em 20 de abril de 2021 e teve o término de seu vínculo em 26 de maio deste ano.

Dados sobre o militar da Marinha Rogério Dias Souza

Os cargos ocupados por eles são muito desejados por militares, por causa das diárias de viagens.

Juntos, os três militares fizeram 124 viagens nacionais e internacionais, sendo 96 a serviço de Jair Bolsonaro e 28 durante o governo Lula.

Rogério Dias Souza, por exemplo, esteve em duas das viagens cujos dados chegaram a Mauro Cid: nos dias 20 e 21 de janeiro foi a Boa Vista, Roraima; de 20 a 30 de março e de 6 a 16 de abril esteve em Xangai, na China, sempre de acordo com dados públicos do Portal da Transparência. O presidente Lula desembarcou em Xangai no dia 12 de abril, o que indica que Rogério fez parte do grupo avançado do GSI que planejou a viagem.

Os dados que confirmam a presença do militar Rogério Dias Souza nas comitivas oficiais de Lula no exterior, com os respectivos valores das diárias recebidas

Em junho deste ano, Rogério recebeu um total de R$ 17.332,59 do governo federal entre soldo, salário e gratificações.

Nas viagens sob Bolsonaro e Lula, os três militares acumularam R$ 162.619,49 em diárias.

Marcio Alex da Silva, do Exército, cuidou de viagens de Lula a Montevidéu, Londres e Paris. Em junho de 2023, ele acumulou o soldo de R$ 24.751,49 com o salário de R$ 2.172,28 e mais R$ 459,64 em gratificação.

Dione Jefferson Freire, da Marinha, foi a melhor remunerada em junho de 2023. Recebeu um total de R$ 28.776,90. A militar da Marinha integrou a comitiva de Lula em viagens à China e Bélgica.

Segundo o GSI, os militares foram afastados de suas atividades por causa da suspeita de terem repassado informações sigilosas indevidamente a Mauro Cid.

Não é a primeira polêmica envolvendo o órgão.

O general Gonçalves Dias, considerado um amigo pelo presidente Lula, deixou de informá-lo sobre a existência de imagens que registravam a presença de militares do GSI em contato com invasores do Palácio do Planalto na tentativa de golpe de 8 de janeiro.

As imagens flagraram o major do Exército José Eduardo Natale Pereira dando água a golpistas. O major também interveio para evitar que a Tropa de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal fizesse prisões dentro do Palácio do Planalto, de acordo com fonte da Revista Fórum que é servidor da Polícia Federal.

Já o general Carlos Feitosa Rodrigues, também do GSI, foi quem emitiu, no dia 7 de janeiro, o informe que reduziu o contingente de agentes de plantão no domingo, 8. Ele foi flagrado conversando com invasores. Na véspera, tinha enviado o e-mail para a preparação da visita de Lula a Araraquara, no interior de São Paulo.

O major Natale e o general Feitosa acompanharam Jair Bolsonaro em sua viagem a Moscou, em fevereiro de 2022.