JUSTIÇA

Gilmar Mendes: prisão de Lula pela Lava Jato só ocorreu por "pressão midiática enorme"

Em entrevista-bomba, decano do STF diz que Lava Jato era "um sistema muito empoderado e bafejado pela mídia", que resultou em diversas decisões injustas.

Gilmar Mendes e Lula.Créditos: Ricardo Stuckert
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Em entrevista-bomba ao site Brazil Journal, especializado em Economia e Mercado, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes confirmou que Lula só foi preso pela Lava Jato em 2018 por "pressão midiática enorme" dos veículos liberais aliados à força tarefa comandada por Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

Em vários momentos, o ministro cita claramente a aliança entre a Lava Jato e a mídia liberal - "que, posso até dizer, era opressiva" - que resultaram, segundo ele, em injustiças e decisões judiciais erradas.

"Só se liberava alguém da prisão depois de ele confessar crimes. Era um sistema muito empoderado e bafejado pela mídia. Um dado certamente vai ser estudado na história do Brasil", afirmou.

Como exemplo, ele citou o julgamento sobre a prisão após decisão de segunda instância, em 2018, que foi deixado de lado na pauta para se julgar especificamente o habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente. 

Além da mídia, a corte foi pressionado pelo ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que foi um dos articuladores da aliança golpista que levou Jair Bolsonaro (PL) ao poder meses depois - leia aqui outro trecho da entrevista de Gilmar Mendes sobre aliança entre o bolsonarismo e a Lava Jato.

"No julgamento da questão da 2ª instância [se os réus deveriam ser presos após condenação na 2ª instância ou apenas depois da ação transitada em julgado, isto é, quando não cabe mais recurso], houve aquela pressão midiática enorme", contou Mendes.

Indagado sobre "pressão em relação a que tema", o ministro seguiu.

"O caso era o do habeas corpus impetrado pela defesa de Lula. O STF precisava julgar a questão do habeas corpus. A ministra Rosa Weber disse que não julgaria se fosse só o habeas corpus, e não a ação declaratória, portanto, ela manteria a orientação do plenário, em que a execução da prisão em segunda instância era válida. Se viesse a ADC (Ação Direta de Constitucionalidade) do habeas corpus, ela manteria seu voto. O resultado é que a ministra Cármen Lúcia decidiu pautar só o habeas corpus, que foi definitivo para colocar o Lula na cadeia", revelou Mendes.

Segundo o ministro, a pressão da mídia liberal "explica todo esse entorno, essa ambiência opressiva", surtiu efeito.

Leia a entrevista na íntegra no site Brazil Journal