Ansiedade, nervosismo e fé. Com essas palavras, Pamela Silva aguarda, em uma sala reservada no Fórum de Foz de Iguaçu, no Paraná, onde acontece nesta quinta-feira (4) o início do julgamento do agente penitenciário Jorge José Guaranho, apoiador de Jair Bolsonaro (PL), que matou a tiros seu marido, o guarda municipal Marcelo Arruda.
"Muita ansiedade, muito nervosismo, mas com fé que hoje se inicia a justiça", disse a viúva de Arruda, que foi intimada como testemunha e será ouvida pelo juri popular que determinará a sentença de Guaranho, que está preso Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, desde agosto de 2022.
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Rogério Oscar Botelho, advogado da família de Arruda, vai acompanhar a exposição do Ministério Público do Paraná, que pede a condenação do bolsonarista por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil – em função da violência política motivada pelo desrespeito às diferenças – e perigo comum, já que os disparos foram efetuados no local da festa e poderiam ter vitimado os convidados presentes.
Botelho estima uma pena mínima de 22 anos para o assassino pelo crime de ódio durante a campanha eleitoral de 2022. O assassinato ocorreu na festa em que Arruda comemorava seus 50 anos com o tema Lula.
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"A acusação acredita que os jurados de Foz do Iguaçu vão condenar Jorge Guaranho pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil, pela banalidade, de ele ter ido ao local fazer provocações e enxovalhar com a vítima, sacar arma e depois voltar e matar. E gerando perigo comum a todos os convidados, pois ele disparou em direção ao salão de festa", disse à Fórum ao se dirigir para o julgamento.
Marcelo Arruda, que era tesoureiro do PT na cidade, foi assassinado a tiros por Jorge Guaranho na noite de 9 de julho de 2022.
O bolsonarista invadiu a festa, realizada na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, e efetuou vários disparos.
Segundo o boletim de ocorrência, Guaranho chegou ao local com a esposa e um bebê no carro e desceu armado, gritando: "aqui é Bolsonaro".
Marcelo Arruda morreu ainda durante a madrugada, após ser levado ao hospital. Ele deixou esposa e quatro filhos, um deles ainda bebê.
O julgamento
Guaranho será julgado por Juri Popular em sessão do judiciário de Foz do Iguaçu que terá início nesta quinta-feira (4). O júri será presidido pelo juiz Hugo Michelini Junior.
Além dos jurados e do juiz, no Fórum estarão advogados de defesa, promotores e assistentes de acusação e Jorge Guaranho.
No total foram convocados 35 jurados e outros 35 suplentes dentre os quais sete serão selecionados por sorteio para integrar o chamado Conselho de Sentença.
No espaço reservado ao público, as primeiras fileiras serão dedicadas aos familiares e amigos de Marcelo e Guaranho, ao centro as poltronas terão espaço reservado à imprensa.
Primeiramente serão ouvidas 5 testemunhas de acusação, entre elas Pâmela Silva, e outras 5 indicadas pela Defesa. Guaranho será o último a ser ouvido.
Em seguida, acusação e defesa farão um debate, que terá início com a exposição do promotor de Justiça. Ele falará por 1 hora e meia. Depois o advogado de defesa terá o mesmo tempo para expor sua tese.
Réplica ou tréplica serão decididas pelo juiz.