CAPITAL PAULISTA

Prefeito de SP é acusado de promover a própria candidatura em eventos oficiais

Representação da federação PSOL/Rede enviada à Justiça eleitoral se baseia em discursos feitos por Ricardo Nunes durante inaugurações de aparelhos públicos custeados pelo município

Créditos: Governo do Estado de São Paulo/Wikimedia Commons
Por
Escrito en POLÍTICA el

Uma representação que acusa o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) de divulgar a sua campanha à reeleição durante eventos custeados com dinheiro da Prefeitura de São Paulo foi enviada ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (15) pela federação PSOL/Rede, autora do pedido.

Segundo a federação, que tem o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) como pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, a entrega da representação junto à Justiça eleitoral foi produzido com base em discursos feitos por Nunes durante as inaugurações do transporte hidroviário municipal, da unidade Perus-Anhanguera do serviço Descomplica SP e da UPA-Rio Pequeno.

O PSOL reforça que Ricardo Nunes foi flagrado fazendo discursos com "inequívoco caráter eleitoral", fazendo promoção da própria imagem e realizando "propaganda negativa de seus adversários", em especial parlamentares do PSOL ou pessoas vinculadas à legenda.

A federação de partidos promove um movimento de contra-ataque semanas depois do MDB de Nunes acionar a Justiça eleitoral contra Boulos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, o petista pediu votos para o psolista durante evento de 1º de Maio, em São Paulo.

"E essa lei, a gente teve o voto dos dois vereadores que estão aqui, mas nós não tivemos os votos e eu queria que vocês soubessem disso, que vocês tenham direito de saber que a lei que foi criada para dar comida para as pessoas mais pobres, para acolher as pessoas que estão em situação de rua, o PSOL votou contra. Os vereadores do PSOL votaram contra e os vereadores que aqui estão votaram a favor", disse Nunes na inauguração da UPA-Rio Pequeno, em 25 de abril.

Mesmo reconhecendo que os episódios envolvendo Nunes não caracterizariam pedido explícito de voto, a representação da federação PSOL/Rede descreve que a suposta irregularidade do prefeito teria sido a de realizar discursos com finalidade eleitoral em atos oficiais de inauguração de equipamentos e serviços públicos, prática que é proibida pela Lei Eleitoral.

A aliança de partidos de esquerda, por fim, pede à Justiça eleitoral que a chapa do emedebista receba uma multa não inferior a R$ 15 mil, além de que seja determinada a proibição imediata de discursos com conteúdo eleitoral em atos de inauguração de equipamentos e serviços custeados pela Prefeitura de São Paulo.