MUDANÇA

‘Quem votou contra sai’: governo reage ao Centrão

Com aval de Lula, Gleisi Hoffmann lidera demissões de apadrinhados por deputados infiéis

Créditos: Jose Cruz/Agência Brasil
Escrito en POLÍTICA el

O governo Lula começa a agir em relação aos aliados indicados por parlamentares que votaram pela retirada de pauta da MP do IOF, na semana passada. Nomes ligados a partidos como PP, União Brasil, PSD, MDB e PL já perderam postos de comando na Caixa Econômica Federal, Correios, Iphan, além de superintendências no Ministério da Agricultura e no Dnit.

“Estamos tirando dos cargos os indicados por deputados que votaram contra a Medida Provisória 1303 porque precisamos reorganizar nossa base”, afirmou a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “Quem votou contra optou por sair do governo”, completou.

A MP 1303 acabou saindo da pauta da Câmara dos Deputados após votação em que o governo foi derrotado por 251 votos a 193. A união entre o PL de Jair Bolsonaro e partidos do Centrão foi decisiva para o resultado. “Queremos saber com quem podemos contar, quem realmente está com o governo, e isso vale para todos. O corte não é partidário”, enfatizou Gleisi.

Centrão e bolsonarismo

Entre os atingidos pela “faxina política” está José Trabulo Júnior, consultor da Caixa e aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Bolsonaro. O presidente da Caixa, Carlos Vieira, indicado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), permanece no cargo, já que o parlamentar alagoano se ausentou da sessão em que a MP foi analisada.

Outra demissão foi a da superintendente do Iphan no Maranhão, Lena Brandão Fernandes, irmã do líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas (MA), que votou contra o governo. O deputado maranhense é o mesmo que aceitou ser ministro das Comunicações, em abril, e depois voltou atrás.

A crise ocorre em meio à tentativa de União Brasil e PP de consolidarem uma candidatura de oposição a Lula em 2026, tendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome preferido do grupo. Nos bastidores, Tarcísio teria atuado para mobilizar deputados contra a MP. Segundo interlocutores do Planalto, o governo decidiu “adiantar o serviço” e antecipar as exonerações de indicados desses partidos.

“Será uma nova fase. Não é razoável o que aconteceu na votação da Medida Provisória 1303 e nunca é tarde para se tomar decisões”, disse, também ao Estadão, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar