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Confusão total: Carlos Bolsonaro ataca Figueiredo, que é defendido por Eduardo

De fato, eles não se entendem. Briga na casta mais extremista do bolsonarismo reflete desespero do grupo com a perda de força e popularidade. Confira o que aconteceu

Créditos: Câmara do Rio / Reprodução de vídeo
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O bolsonarismo parece estar vivendo dias de caos interno, com direito até a troca de farpas públicas entre seus membros mais fervorosos e extremistas. Na manhã desta quinta-feira (16), o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), conhecido como “Carluxo”, decidiu mirar suas críticas no lobista golpista Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, em uma postagem afiada no X. O motivo? Uma declaração de Figueiredo que sugeriu que a prisão do ex-assessor Filipe Martins, ligado aos atos golpistas de 8 de janeiro, poderia ser resultado de um “erro administrativo” nos registros imigratórios dos EUA.

Carlos não deixou barato. Em tom indignado, disparou: “Repetir a lorota do Guilherme Amado e dizer que a fraude usada para prender o Filipe Martins pode ser apenas um ‘erro’ é cuspir na cara de quem ainda pensa e debochar de quem está sendo massacrado pelo sistema”. O vereador ainda questionou, com doses de ironia: “Por que esses ‘erros’ só acontecem quando o alvo é Jair Bolsonaro e quem é próximo dele? E como um ‘erro’ cria um registro falso com dois anos de atraso, com número de passaporte cancelado, visto que não existe e nome escrito errado?”.

A confusão começou quando Figueiredo, sempre gritalhão e “machão”, comentou na véspera sobre uma suposta nota da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP). Segundo ele, o órgão teria revisado os registros e concluído que Filipe Martins não entrou nos EUA em 30 de dezembro de 2022, contradizendo informações usadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para justificar a prisão do ex-assessor. Figueiredo ainda foi além, sugerindo que a divergência poderia ser apenas um “erro administrativo” e que a nota respaldava denúncias de violações de direitos que ele próprio levou à Casa Branca.

A sugestão de “erro” não caiu bem com Carlos, que viu na fala uma tentativa de minimizar o que ele considera uma perseguição orquestrada contra aliados de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com sarcasmo e a verborragia grotesca de sempre, o vereador escreveu: “Mas relaxa, também deve ter sido coincidência terem me monitorado e me interrogado quando fui para os EUA acompanhar o nascimento da minha filha. É muita ‘criatividade’. Muita ‘prudência’. E muita ‘sofisticação’”. Ele ainda reforçou a narrativa de que o sistema judicial estaria “massacrando” quem orbita sua família.

Enquanto Figueiredo, surpreendentemente, optou pelo silêncio diante do ataque, quem correu para defendê-lo foi ninguém menos que Eduardo Bolsonaro, o filho 03 e fiel aliado golpista de Figueiredo em suas empreitadas antinacionais e lesa-pátria nos EUA. Eduardo foi ao X para apagar o incêndio, negando veementemente qualquer insinuação de que Figueiredo colaboraria com o ministro Alexandre de Moraes. “Seria um completo absurdo afirmar que Figueiredo ajuda Alexandre de Moraes”, declarou, antes de tecer elogios ao amigo: “Sou testemunha de seu empenho e coragem ao denunciar as violações do regime”.

Num tom inesperadamente conciliador para seu estilo ultrarradical, Eduardo tentou colocar panos quentes na briga familiar. Disse não acreditar que alguém “dentro da direita” queira colaborar com o que ele chama de “regime” — termo que, de forma um tanto patética, o grupo usa para se referir ao Estado Democrático de Direito. Para ele, tudo não passa de “mal-entendidos” e “falhas de comunicação”, e “ninguém deve ser deletado por isso”. A mensagem, claro, tinha endereço certo: o irmão mais velho, Carlos.

A treta pública expõe as rachaduras no núcleo mais extremista do bolsonarismo, que parece cada vez mais perdido em meio à perda de influência e popularidade. Resta saber se os irmãos Bolsonaro e seus aliados conseguirão alinhar o discurso ou se novas faíscas vão manter o circo pegando fogo.

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