O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), que recentemente ganhou projeção nacional por barrar a participação da escritora Milly Lacombe em um festa literária da cidade por fala contra a “família cristã”, enfrenta agora uma grave crise pessoal e política. O gestor é acusado de violência doméstica pela esposa e primeira-dama, Sheila Thomaz, e também foi citado em um boletim de ocorrência registrado por uma servidora da prefeitura apontada como sua amante.
Medida protetiva e perda de cargo
Sheila Thomaz, que perdeu nesta quarta-feira (15) a presidência do Fundo Social de Solidariedade, já havia denunciado o marido por agressões e ameaças. A Justiça concedeu à primeira-dama uma medida protetiva no início do mês, impedindo o prefeito de se aproximar dela a menos de 200 metros ou manter qualquer tipo de contato.
Te podría interesar
A decisão, expedida pela Vara da Violência Doméstica e Familiar de São José dos Campos, prevê prisão em flagrante ou preventiva em caso de descumprimento. As restrições têm validade de um ano, podendo ser prorrogadas.
No boletim de ocorrência, Sheila afirma ter sido agredida fisicamente por Anderson durante uma discussão no início de outubro. Segundo o relato, a filha do casal também teria sido atingida. Ela ainda menciona episódios de ofensas, humilhações e controle financeiro, além de ter sido ameaçada e xingada pela sogra após a aproximação da mãe de Anderson com Milena Coelho, servidora apontada como amante do prefeito.
Te podría interesar
Boletim da servidora e acusações de perseguição
O afastamento de Sheila do cargo ocorreu logo após a divulgação de outro boletim de ocorrência, registrado por Milena Coelho, enfermeira concursada da prefeitura desde 2017. No documento, datado de 27 de agosto, Milena acusa a primeira-dama de perseguição, ameaças e injúria, alegando manter um relacionamento amoroso com o prefeito.
A servidora relata que Sheila teria ido até seu local de trabalho para constrangê-la publicamente, além de vigiá-la em casa e insultá-la em eventos. Milena também diz ter sido alvo de um “dossiê” com informações falsas, montado supostamente para provocar sua demissão.
“A declarante se sente intimidada, ameaçada e perseguida por Sheila, não sabendo do que ela é capaz, temendo por sua vida e integridade física”, diz trecho do boletim.
Apesar das acusações, a Polícia Civil informou que o caso não resultou em investigação formal, já que o registro foi feito com autoria desconhecida, sem dados pessoais de Sheila Thomaz.
Separação e nota oficial
Com a divulgação do boletim nesta quarta-feira, a prefeitura publicou uma nota oficial anunciando a separação do casal. No comunicado, o governo municipal afirma que Anderson e Sheila decidiram “seguir caminhos pessoais distintos” e pede respeito à privacidade de ambos.
“O prefeito Anderson Farias e Sheila Thomaz, de comum acordo, decidiram seguir caminhos pessoais distintos. O prefeito seguirá exercendo normalmente suas funções, com foco nas ações e metas do Plano de Gestão. Sheila Thomaz deixará a presidência do Fundo Social para se dedicar a projetos pessoais e profissionais”, diz a nota.
Bastidores políticos
Segundo o portal Metrópoles, o suposto relacionamento entre o prefeito e Milena Coelho já era comentado nos bastidores políticos da cidade desde o ano passado. Anderson teria mantido o casamento por aparência, enquanto Sheila articulava uma carreira política própria.
Até setembro, Sheila era filiada ao PSD, mesmo partido do marido, e havia trabalhado no gabinete do ex-deputado estadual Hélio Nishimoto na Assembleia Legislativa de São Paulo.
O caso Mylli Lacombe
O caso expõe um novo capítulo de tensão na gestão de Anderson Farias, que há poucas semanas foi alvo de críticas por vetar a presença de Milly Lacombe em um evento literário por declarações consideradas ofensivas ao conceito de “família tradicional”.
Em vídeo publicado pelo vereador Zé Luís (PSD), aliado da administração, o prefeito afirmou ter procurado a AFAC (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), responsável pela gestão do parque, para cancelar a participação de Milly na Flim (Festa Litero Musical) de São José dos Campos. Segundo ele, a medida foi tomada em razão de declarações da jornalista sobre a chamada “família tradicional brasileira”.
“Não podemos permitir dentro de um espaço público pessoas que tenham esse pensamento com relação à família”, disse Anderson, ao criticar uma fala da escritora em podcast. No trecho reproduzido no vídeo, Milly afirma: “Essa família tradicional, branca, conservadora, brasileira é um horror. É a base do fascismo, falemos a verdade, né?”