A sobrevivência política definitivamente é forjada de oportunismo para alguns personagens laterias da vida pública nacional. E para provar isso, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, aproveitou uma frase mal ajambrada dita pelo presidente Lula (PT) durante sua visita à Indonésia, nesta sexta-feira (24), sobre o tráfico de drogas, para tentar garantir algum protagonismo nas redes após ele e seu chefe, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), derreterem junto ao eleitorado em decorrência das sucessivas crises de criminalidade e violência enfrentadas pelos paulistas.
“Eu assisti um vídeo, do presidente da República, e eu achei que era produzido por inteligência artificial, mas infelizmente estamos em 2025 e é uma realidade no nosso país”, começa dizendo o oficial da reserva da Rota que se gaba de sua selvagem política de segurança pública em que o extermínio do cidadão é a tônica, algo sem sucesso algum, tendo em vista o domínio total exercido pelo Primeiro Comando da Capital em São Paulo, bem debaixo do seu nariz e diante de seu discurso teatral de “tolerância zero” com a bandidagem.
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Na sequência, Derrite cita o trecho em que Lula claramente se embanana com as palavras usando o termo “vítima”, quando queria fazer referência a algo como um “círculo vicioso” em relação à cadeia estabelecida entre usuários de entorpecente e traficantes, ficando cada um deles diretamente “preso” à necessidade do outro, seja para compra e consumo ou para venda desses produtos ilegais. Depois, ele ainda repete uma grotesca fake news, já desmentida centenas de vezes, sobre o petista ter “defendido o direito de ladrões de celular roubarem só para tomar uma cervejinha”, uma história originada em 2020 a partir da edição de dois vídeos com entrevistas do então ex-presidente à altura.
Desmoralizado e numa situação difícil
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Responsável pela segurança num estado absolutamente dominado pelo PCC, a maior organização criminosa do país, Guilherme Derrite precisou encarar a humilhante situação nos últimos meses de ver São Paulo exposto em todas as manchetes pelo fato de o crime organizado operar mais de 40 fundos de investimentos e meia dúzia de fintechs diretamente da Faria Lima, movimentando ativos de mais de R$ 52 bilhões, além de controlar mais de mil postos de gasolina, dezenas de construtoras, viações de ônibus, empreiteiras, padarias, motéis e até lojas de brinquedos.
Deputado federal eleito por duas vezes, ele se entregou de corpo e alma a Tarcísio de Freitas após ser convidado para assumir a pasta da Segurança Pública no mais rico e populoso estado do Brasil. Nos dois primeiros anos de gestão, com sua truculência irracional e desmedida, conseguiu algum nível de popularidade entre as franjas eleitorais mais reacionárias depois de conduzir duas operações policiais desastrosas na Baixada Santista, nas quais 84 pessoas foram assassinadas pelas forças policiais, a imensa maioria delas sem razão alguma. Entretanto, a coisa viria a mudar radicalmente de atmosfera.
A partir de 2025, mais precisamente na sequência da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, Derrite e Tarcísio foram retratados para todo o país como uma dupla de incompetentes em absoluta falência política. O PCC vivia algo como uma simbiose junto aos setores financeiros da Faria Lima, onde o governador aparecia enfiado todas as semanas. As descobertas seguintes, de que o crime organizado opera um verdadeiro controle paralelo no estado, atuando em todos os setores econômicos, acabaram por devastar a imagem de “linha dura” dos dois que, a bem da verdade, estavam sentados em suas cadeiras em meio a um mar de corrupção, violência e criminalidade conduzido por uma facção profundamente arraigada na máquina pública paulista.